O infiltrado foi levado para uma sala pequena nos fundos da hacienda. Havia uma mesa, duas cadeiras e um abajur jogando luz direta no rosto dele. As mãos estavam presas com uma braçadeira de plástico, o uniforme amarrotado. Herrera ficou encostado na parede com uma pasta aberta. Rafael sentou em frente ao homem, calmo demais, o que assustava mais do que qualquer grito.
Camila não tinha sido convidada a assistir, mas ninguém teve tempo de impedi-la. Parou do lado de fora, perto da porta entreaberta, de onde conseguia ver parte da mesa e o perfil de Rafael.
— Vamos recapitular, Héctor — Rafael começou, a voz baixa. — Você vendia horários, rotas internas, trocas de turno. Quero que diga exatamente como recebia e entregava isso.
O homem engoliu seco, olhou rápido para Herrera, depois para a mesa.
— Eu não falava com ninguém direto, senhor. Recebia bilhete na caixa de correio da vila, com instruções. Usava um chip de celular que eles me deram. Mandava mensagem com o que pediam, em código s