A tarja vermelha entrou na sala antes de qualquer telefonema. “Preso suspeito em série de assassinatos de gestantes no Vale”, dizia a TV. Camila ergueu o rosto, o coração disparando.
Mostraram a estrada, o caminhão atravessado, viaturas, depois um galpão com o letreiro Mena & Filhos borrado e a fachada envelhecida de uma destilaria que qualquer morador do Vale reconheceria. “Fontes extraoficiais ligam o motorista Esteban Mena a um acidente de caminhão-tanque ocorrido anos atrás envolvendo uma grande empresa de bebidas”, explicou a repórter. “Documentos internos podem reabrir um escândalo engavetado.”
Ingrid abaixou o volume.
— Vão vender como caso encerrado — disse. — Prende o monstro da vez, salva o sobrenome de quem decidiu.
— Pelo menos as famílias agora sabem que ele está preso — murmurou Camila.
Bateram à porta. Herrera entrou com uma pasta sob o braço, o rosto marcado de cansaço. Rafael veio atrás, já sem o colete, mas ainda com o corpo em alerta.
— Já viram o show na TV — Herre