CAPÍTULO 182

Herrera não gostava da sala de reuniões da Hacienda, mas admitia que a mesa comprida era útil quando o assunto era espalhar problemas. Agora, em vez de contratos, estavam ali impressões de bilhete, fotos de vítimas e uma planta reduzida da propriedade.

Esteban indicou um ponto com o dedo.

— O bilhete foi deixado aqui, perto do portão de serviço. Câmera com ângulo ruim, pouca luz. O sujeito escolheu bem o ponto cego.

Herrera concordou com um leve movimento de cabeça.

— E escolheu bem o momento. Madrugada, troca de turno, ninguém com paciência para desconfiar de envelope na mão de motorista.

Rafael estava em pé, mãos apoiadas no encosto da cadeira, o corpo inclinado para frente.

— Eu quero isso corrigido hoje. Nada de ponto cego. Se tiver que derrubar muro, abrir vala, mudar poste, a gente muda.

— Já mandei orçamento para reforço de iluminação, câmeras com sensor melhor e aumento de pessoal no portão de serviço — Esteban respondeu. — Mas a verdade é que, se for alguém daqui de dentro, e
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