Rafael chegou à Hacienda mais tarde do que gostaria. O carro entrou pelo portão lateral, longe das câmeras que ainda rondavam a entrada principal. Esteban desceu primeiro, checou o corredor, fez um sinal curto. Só então Rafael saiu.
Subiu as escadas com passos longos, o corpo tenso como se ainda estivesse na delegacia. No andar do quarto, dois seguranças que ele mesmo escalara estavam de plantão. Ele olhou para os dois, mediu a postura, aprovou com um aceno seco e bateu na porta.
— Entra — a voz de Camila veio de dentro.
Ele abriu devagar. O quarto estava em meia-luz, televisão muda, só passando imagens da fachada da delegacia em looping. Camila estava sentada na cama, o bebê encostado no peito, já quase dormindo.
Quando o viu, o corpo dela relaxou um pouco.
— Finalmente.
Rafael fechou a porta e se aproximou.
— Como vocês dois estão?
— Vivos — ela respondeu. — E famintos. Ele de leite, eu de notícia.
Ele soltou um suspiro curto e sentou-se na borda da cama, perto dos pés dela.
— O del