Camila já estava na posição de parto, o corpo inclinado, mãos agarradas nas laterais da cama, cabelos grudados na testa. O suor escorria, misturado a lágrimas que ela nem sabia direito se eram de dor ou de medo.
Ingrid, de luvas, se posicionou entre as pernas dela, a expressão concentrada.
— Escuta, Camila. Agora é outra fase. Quando eu mandar, você empurra tudo o que tiver. Quando eu falar para parar, você para, mesmo com vontade. Isso evita machucar você e o bebê.
— Eu tento.
Rafael estava ao lado, perto demais para ficar confortável e longe demais para o gosto dele. Segurava uma das mãos de Camila com as duas.
— Estou aqui. Olha pra mim.
— Não desmaia — avisou, rouca.
— Se eu desmaiar, levanto — ele respondeu. — Você empurra, eu fico em pé. Cada um com sua função.
A próxima contração veio como um golpe que subia das costas até o peito. Ingrid ergueu o olhar.
— Agora, Camila. Empurra.
Camila prendeu o ar, contraiu o corpo inteiro, sentindo uma pressão absurda. Gritou, não conseguiu