Ingrid voltou menos de dez minutos depois, com o jaleco aberto e a prancheta na mão.
— Já encurtou o intervalo? — perguntou, chegando ao lado da cama.
Camila respirou fundo, a testa suada.
— Uns seis minutos. Às vezes menos. Na última eu nem consegui contar.
Ingrid checou o relógio, o rosto sério.
— Então acabou o ensaio. Vamos descer para a ala clínica.
Rafael se levantou na hora.
— Eu levo.
— Você ajuda, não carrega — Ingrid respondeu, seca. — Camila, levanta devagar, apoia em mim e nele. Nada de provar força para ninguém.
Camila pôs os pés no chão, as pernas trêmulas. Rafael se posicionou ao lado, uma mão firme nas costas dela, outra segurando a mão dela.
— Se doer muito, você xinga — murmurou, encostando o rosto perto. — Eu aguento.
— Fica tranquilo, eu tenho vocabulário para isso — ela tentou brincar, respirando curto.
Saíram para o corredor. Na metade do caminho, uma contração mais forte veio como um soco. Camila se curvou, arfando, agarrada no braço de Rafael.
— Respira comigo