O turno da tarde estava apenas começando, mas a Hacienda parecia vibrar em um ritmo diferente, como se todo o ar estivesse carregado de eletricidade desde o momento em que Rafael atravessara o laboratório com aquela expressão que os funcionários aprenderam a temer.
Camila tentou retomar suas tarefas, mas a mente insistia em voltar ao beijo, à forma como o corpo dela cedeu, à maneira como Rafael a segurou pela cintura como se tivesse direito, como se tivesse acabado de reivindicar algo que aguardava há muito tempo.
E o pior: ele tinha percebido tudo.
Ele tinha sentido cada reação dela.
E agora estava completamente ciente do poder que o corpo dela tinha sobre o dele — e do poder que ele tinha sobre o corpo dela.
O laboratório recebeu um grupo de técnicos recém-chegados, e Camila aproveitou para revisar amostras ao lado de um deles, um engenheiro chamado Andrés, que já trabalhava há anos ali. Ele se aproximou com um relatório nas mãos e perguntou:
— Precisa de ajuda com a calibragem?
Cam