Camila saiu do galpão com o corpo vibrando como se cada músculo estivesse preso entre o tremor do que havia acontecido e o peso brutal daquilo que viria depois, porque cada passo parecia mais instável do que deveria, como se Rafael ainda estivesse segurando sua cintura com a mão quente e firme. O ar do pátio era seco, carregado pelo calor do sol que batia forte sobre as telhas da Hacienda, mas nada disso conseguia esfriar a sensação inquieta que subia pelo ventre dela desde o momento em que seus lábios tinham encontrado os dele.
Tentou seguir para o laboratório sem chamar atenção, ajeitando o jaleco, respirando fundo, caminhando com passos calculados, mas não havia maneira de fingir naturalidade quando tudo dentro dela estava aceso demais. O cheiro de agave, que normalmente era só parte do ambiente, agora parecia colar na pele como uma lembrança do perfume que Rafael usava. E cada toque involuntário no próprio corpo — a mão ajustando o cabelo, a outra segurando a prancheta — lembrava