O dia seguinte começou com barulho de motor e vozes ao longe. Camila acordou com a luz entrando pelas frestas da cortina e com a ausência do peso de Rafael ao lado. Por um segundo, sentiu um frio que não vinha da gravidez.
Sentou devagar e ouviu os sons. Não era confusão, mas tinha um ritmo diferente do habitual: mais passos, mais rádios, comandos curtos. O cheiro de café vinha do corredor misturado à sensação de que a casa estava em alerta.
Rafael entrou pouco depois, de camisa branca, mangas dobradas e expressão tensa. Estava com o celular em uma mão e uma pasta fina na outra.
— Bom dia.
— Parece tudo, menos bom. O que está acontecendo lá fora?
— A imprensa cercou o portão. — Ele pousou a pasta na cômoda. — O caso das grávidas vazou, estão ligando os pontos com a tequila.
— Já estão falando o nome da marca?
— Ainda de forma cuidadosa. Mas qualquer morador de Jalisco sabe ler nas entrelinhas.
Camila passou a mão pelo rosto.
— E o seu nome?
— Ainda não. Só questão de tempo. O delegado