CAPÍTULO 158

O dia seguinte começou com barulho de motor e vozes ao longe. Camila acordou com a luz entrando pelas frestas da cortina e com a ausência do peso de Rafael ao lado. Por um segundo, sentiu um frio que não vinha da gravidez.

Sentou devagar e ouviu os sons. Não era confusão, mas tinha um ritmo diferente do habitual: mais passos, mais rádios, comandos curtos. O cheiro de café vinha do corredor misturado à sensação de que a casa estava em alerta.

Rafael entrou pouco depois, de camisa branca, mangas dobradas e expressão tensa. Estava com o celular em uma mão e uma pasta fina na outra.

— Bom dia.

— Parece tudo, menos bom. O que está acontecendo lá fora?

— A imprensa cercou o portão. — Ele pousou a pasta na cômoda. — O caso das grávidas vazou, estão ligando os pontos com a tequila.

— Já estão falando o nome da marca?

— Ainda de forma cuidadosa. Mas qualquer morador de Jalisco sabe ler nas entrelinhas.

Camila passou a mão pelo rosto.

— E o seu nome?

— Ainda não. Só questão de tempo. O delegado
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