A noite caiu pesada sobre a Hacienda. As luzes externas desenhavam árvores e muros no gramado. Dentro do quarto, Camila fingia assistir à televisão, mas a mente voltava sempre para a imagem da própria foto riscada, guardada na gaveta.
Rafael tinha saído para uma reunião rápida com o advogado e o delegado. Prometera voltar antes da meia-noite. Ingrid passara para medir a pressão e ouvir o coração do bebê.
Quando a médica saiu, o quarto ficou apenas com o som da TV e do vento na janela. Camila desligou a tela, incapaz de prestar atenção em qualquer fala.
Puxou o envelope da gaveta e tirou a foto. Olhou para o rosto riscado, para a letra apressada que marcava o “antes da assembleia final”.
— Você não vai ganhar — murmurou, como se Arturo estivesse ali.
O bebê mexeu. Ela passou a mão pela barriga, tentando controlar o enjoo leve que vinha com a ansiedade.
Uma batida na porta a fez sobressaltar.
— Quem é?
— Esteban. Posso entrar?
— Pode.
O chefe de segurança entrou de camisa escura e rádio