Camila não conseguiu voltar ao livro depois que Luna saiu. Tinha tentado duas vezes, relido o mesmo parágrafo, sentiu as frases se dissolverem antes de chegar ao fim. No lugar de qualquer imagem literária, voltavam os trechos da conversa: “ele sempre fala comigo antes de decisões importantes”, “você acha mesmo que alguém como ele vai se contentar para sempre com essa vida doméstica?”, “às vezes tudo o que eu preciso é que você duvide de si mesma no momento certo”. O veneno não tinha sido jogado em gritos, e sim em forma de confidências, como se as duas fossem aliadas, e essa era justamente a parte mais perigosa.
O menino mexera tanto nos últimos minutos que Ingrid, se visse, diria que era resposta ao nível de adrenalina dela. Camila, porém, não queria dar a Luna o luxo de transformar aquilo em fissura entre ela e Rafael. Havia um acordo tácito entre os dois: enquanto o mundo tentava quebrá-los por fora, eles, pelo menos, não entregariam as armas por dentro.
Quando decidiu que não ganh