Rafael chegou à biblioteca alguns minutos antes do horário combinado, não por ansiedade, e sim por hábito de quem sempre quis controlar o terreno antes da entrada de qualquer adversário. Acendeu apenas as luminárias laterais, deixando a sala num meio-clarão que destacava as estantes e a mesa central, pesada, de madeira escura, onde já tinha decidido que colocaria tudo o que tinha contra a irmã. O notebook estava aberto, com e-mails e prints organizados em uma sequência que não deixava espaço para muita narrativa criativa. Na outra ponta, um envelope com documentos impressos; ele sabia que, com Luna, às vezes era preciso esfregar o papel na frente para que ela entendesse que não se tratava só de suposição.
Ouviu o som da maçaneta girando e não precisou fingir surpresa. Luna entrou com um vestido de tecido fluido, vinho profundo, perfeitamente combinado com o batom, o cabelo preso num coque elegante, perfume caro espalhando-se pela sala antes mesmo de ela fechar a porta. Sorriu como se