Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 8 — Fugir
Três dias depois… Nicolas desembarcou em Milão. A viagem havia sido marcada meses antes. Reuniões. Jantares. Assinaturas de contratos. Era exatamente o tipo de rotina que sempre o ajudava a manter a mente ocupada. Ou pelo menos… Era o que costumava acontecer. Na última noite da viagem… Já de volta à cobertura do hotel… Seu celular vibrou. Uma mensagem curta. “Como sempre, senhor Beaumont?” Nicolas permaneceu alguns segundos olhando para a tela. Digitou apenas duas palavras. “Pode subir.” Alguns minutos depois… A campainha tocou. Uma mulher elegante entrou na suíte. Vestia um vestido preto discreto. Era bonita. Muito bonita. Assim como tantas outras que haviam passado por sua vida. Ela aproximou-se lentamente. Sorriu. — Faz tempo que não nos vemos. Nicolas apenas assentiu. Ela já conhecia as regras. Não fazia perguntas. Não criava expectativas. Não confundia desejo com sentimento. Era um acordo simples. Sem promessas. Sem envolvimento. Ela aproximou-se mais uma vez. Levantou a mão para tocar seu rosto. Nicolas segurou delicadamente seu pulso. — Não. Ela sorriu de leve. — Ainda não gosta de beijos? Ele sustentou seu olhar por alguns segundos. — Nunca gostei. Ela apenas concordou. Já esperava aquela resposta. Já sabia que, com ele, existiam limites que jamais seriam ultrapassados. Ele a mandou tirar a roupa, sem emoção, sem sentimento. Ele tirou uma camisinha de seu bolso, a colocou, por que ele achou que só aquilo seria o bastante para tirar Maya de seus pensamentos. Então entrou nela sem pedir permissão alguma, a fodeu com força, como se aquilo iria tirar os sentimentos que ele não queria de dentro dele. A mulher o sentia voraz e fala que queria mais, por que achava que em algum momento talvez ele sentisse alguma coisa por ela. Mas isso nunca iria acontecer! Quando tudo terminou, ele permaneceu sentado na poltrona próxima à janela. A mulher recolheu suas coisas em silêncio. Antes de sair, lançou um último olhar para ele. — Boa noite, senhor Beaumont. — Boa noite. A porta da suíte se fechou suavemente. O silêncio voltou a ocupar o ambiente. Nicolas passou a mão pelos cabelos, exausto. Aquilo sempre bastava. Sempre. Era suficiente para afastar qualquer distração e fazê-lo voltar ao trabalho no dia seguinte como se nada tivesse acontecido. Mas, naquela noite… Não. Ele caminhou até a janela e observou as luzes de Milão. Levou o copo de uísque aos lábios. Fechou os olhos. Contra toda a lógica… Foi outro rosto que apareceu. Não o da mulher que acabara de sair. Mas o de Maya. O coque simples prendendo os cabelos. Os olhos cor de mel. O sorriso tranquilo que oferecia a todos. — “Bom dia, senhor Beaumont.” Nicolas abriu os olhos imediatamente. Apertou o copo com força. — Droga… Só de pensar nela ele estava duro novamente, duro como nunca avia ficado antes, nem a minutos atrás com uma mulher que qualquer homem ficaria louco. Nicolas foi para o banheiro, deixou a água cair sobre seu corpo, e lá estava ela em seu pensamento, ele lembrou dos lábios dela, e seu pau acompanhava o ritmo de seus pensamentos ficando cada vez mais duro, latejando, então Nicolas o segurou, como se fosse um adolescente que precisasse de uma punheta para se aliviar, e Maya em seus pensamentos! Logo saiu do banho, e ficou pensando sobre o que estava acontecendo com ele, o que ela estava fazendo com ele que não saia de seus pensamentos. Nem a milhares de quilômetros de distância… Nem tentando voltar à vida que sempre levara… Ela saía de seus pensamentos. E foi naquele instante que ele percebeu uma verdade que se recusava a aceitar. Ele não estava tentando esquecer uma mulher. Estava lutando contra algo muito maior do que isso. Nicolas permaneceu imóvel diante da janela. O copo de uísque já estava vazio. Mesmo assim… Continuava segurando-o. As luzes de Milão refletiam no vidro da cobertura. Em outras viagens, aquela vista costumava lhe trazer paz. Naquela noite… Não. Seu celular vibrou sobre a mesa. Uma mensagem da secretária. “O contrato com a Moretti será assinado amanhã às nove horas.” Ele leu. Bloqueou a tela. Nenhuma resposta. Não era comum. Sua secretária sabia que ele sempre respondia imediatamente. Respirou fundo. Fechou os olhos outra vez. Inutilmente. Ela voltou. Maya. Rindo para aquele funcionário da tecnologia. Acompanhando o senhor idoso até o elevador. Cumprimentando cada pessoa que cruzava seu caminho. Como alguém conseguia ser tão naturalmente gentil? Aquilo o irritava. Porque era verdadeiro. Não havia interesse. Não havia fingimento. Ela simplesmente… Era assim. Nicolas passou a mão pela nuca. — Que inferno… Virou-se abruptamente. Pegou o paletó jogado sobre a poltrona. Precisava dormir. No dia seguinte teria reuniões importantes. Entrou no quarto. Apagou as luzes. Deitou-se. O silêncio tomou conta da suíte. Cinco minutos. Dez. Vinte. O sono não vinha. Revirou-se na cama. Olhou para o teto. Suspirou profundamente. Quando finalmente adormeceu… Sonhou. … Era o Café Firenze. O aroma de café recém-passado preenchia o ambiente. Maya estava atrás do balcão. Usava o mesmo avental preto. O mesmo coque simples. Ela levantou os olhos. Sorriu. — Bom dia. Ele caminhou em sua direção. Queria dizer alguma coisa. Qualquer coisa. Mas nenhuma palavra saía. Então ela começou a se afastar. Primeiro devagar. Depois cada vez mais distante. Como se desaparecesse entre as pessoas. — Maya… A voz finalmente saiu. Ela não ouviu. Continuou caminhando. Até desaparecer completamente. … Nicolas abriu os olhos de repente. O quarto estava escuro. Seu peito subia e descia rapidamente. Passou a mão pelo rosto. Olhou o relógio. Quatro e quinze da manhã. Sentou-se na cama. Permaneceu alguns minutos em absoluto silêncio. Nunca… Em trinta e cinco anos… Sonhara com uma mulher. Muito menos com uma que mal conhecia. Apoiou os cotovelos sobre os joelhos. Baixou a cabeça. — Isso precisa acabar… Mas, pela primeira vez… Aquela frase já não soava como uma ordem. Soava como um pedido. Porque, no fundo… Ele começava a desconfiar de uma verdade que ainda se recusava a admitir. Não era Maya que estava invadindo seus pensamentos. Era ele quem, sem perceber, começava a abrir espaço para ela dentro de um coração que acreditava estar fechado para sempre.






