Cassie ficou em silêncio. Um silêncio denso, que parecia se espalhar pela cozinha da casa de Hendrick, misturando-se ao crepitar baixo do fogão a lenha e ao cheiro de madeira queimando. Ela não esperava aquela pergunta. Nem mesmo o gesto anterior dele — pensar nela, comprar o aquecedor — ainda estava digerido em sua mente, e agora vinha mais uma onda inesperada.
Amos a observava sentado à mesa, o corpo levemente inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos. Não havia ansiedade no olhar dele, nem tentativa de decifrar o que Cassie sentia. Apenas expectativa. Como se aguardasse que, depois da pausa, viesse naturalmente uma resposta objetiva.— Você está chateada? — a voz dele soou sem inflexão, apenas uma constatação lógica: alguém fica em silêncio, logo, pode estar zangado.Ela respirou fundo, fechou os olhos por um instante e forçou um sorriso antes de encará-lo novamente.Cassie apertou os lábios. O calor que subiu ao rosto não vinha