A noite caiu sobre a vila como um manto espesso. O ar já trazia o frio que anunciava a proximidade do inverno, e o crepitar da fogueira no centro do pátio parecia o coração pulsante que reunia todos ali. A chama alta iluminava os rostos, projetando sombras dançantes nas paredes das casas e no tronco das árvores que rodeavam o espaço.
Cassie se aconchegou no banco de madeira, segurando o pequeno pote de sobremesa entre as mãos. A textura cremosa e doce contrastava com o vento gelado que serpenteava por entre as casas. Olhou ao redor: os lobos estavam dispersos em torno do fogo, cada um com seu próprio pote, rindo baixo ou apenas observando as chamas. Era um momento de trégua, quase doméstico. Tyler foi quem quebrou o silêncio agradável. — Cassie… — chamou, com aquele sorriso maroto que ele parecia carregar sempre. — Canta pra gente? Ela se engasgou levemente com a colher, surpresa. — O quê? — Canta. — Tyler apoiou o cotovelo no joelho