A noite já havia se assentado sobre a vila quando Cassie se recolheu ao quarto cedido pelos Kent. A casa térrea era simples, com paredes de madeira clara e janelas baixas que deixavam passar o frio crescente da estação. Por isso não se surpreendeu ao ouvir passos firmes no corredor e ver Kallias surgindo à porta, carregando um aquecedor pequeno, de metal pesado.
— Hendrick pediu para garantir que o quarto estivesse pronto para o inverno — disse ele, a voz grave e baixa, quase rouca pelo silêncio que parecia lhe ser habitual. Cassie se afastou, abrindo espaço perto da tomada na parede. — Claro. Obrigada… vai ser útil, com certeza. Kallias inclinou a cabeça em sinal de reconhecimento, sem prolongar a conversa. Ajeitou-se de joelhos diante do equipamento e começou a instalação com movimentos calmos, práticos. Cassie, encostada na beira da cama, observava cada gesto. Era inevitável reparar na imponência dele: cabelos loiros platinados que, sob a luz amarela