Sebastian Viccari
A chuva de Santos não perdoa. Ela entrou nos ossos, lava o sangue e, naquela madrugada, ameaçava afogar os milhões de reais que eu e Dante Moretti tínhamos enterrado naquelas fundações.
Mas o frio que eu sentia não vinha da água; vinha do olhar de Dante enquanto ele entrava no contêiner de comando, com a postura de um carrasco que acaba de encontrar o culpado.
Aurora já tinha saído. Eu a mandara para o fundo do contêiner, escondida entre as sombras e as pastas de arquivos, para que ela pudesse recompor a máscara de gelo da família Moretti. Eu precisava enfrentar o touro sozinho.
— Viccari — a voz de Dante cortou o barulho da tempestade. Ele não gritava. Homens como ele só gritam quando já perderam o controle. Ele estava calmo, o que o tornava letal. — Eu estive a analisar os relatórios preliminares enquanto vinha no carro. Houve alterações no projeto estrutural da ala norte. Alterações que não passaram pelo meu conselho técnico. Alterações assinadas apenas por v