Sebastian Viccari
A chuva de Santos não perdoa. Ela entrou nos ossos, lava o sangue e, naquela madrugada, ameaçava afogar os milhões de reais que eu e Dante Moretti tínhamos enterrado naquelas fundações.
Mas o frio que eu sentia não vinha da água; vinha do olhar de Dante enquanto ele entrava no contêiner de comando, com a postura de um carrasco que acaba de encontrar o culpado.
Aurora já tinha saído. Eu a mandara para o fundo do contêiner, escondida entre as sombras e as pastas de arquivos,