Aurora Moretti
O som do jazz baixo no bar do Hotel Fasano tentava, sem sucesso, acalmar o incêndio que corria nas minhas veias. Eu não queria música suave; eu queria o som de vidro quebrando, o som do mundo de Victor e Camila desmoronando da mesma forma que o meu castelo de cartas ruiu naquela tarde.
Um desejo tão primitivo, mas que parece tão justo por tudo que estava sentindo nesse momento.
Eu estava sentada no balcão, longe das mesas e da luz. Meu vestido preto era curto demais para os padrões de Dante Moretti, e meu batom era de um vermelho que gritava perigo. Eu já estava no terceiro Bourbon, sentindo o líquido queimar a garganta, um tipo de dor que eu conseguia controlar.
— Um brinde à lealdade — murmurei para o nada, erguendo o copo vazio antes de bater com ele no mármore. — Um brinde à grande mentira chamada amizade. E outro à piada chamada amor.
Eu estava pronta para pedir o quarto, quando uma voz profunda e com um tom de diversão contida, cortou o meu monólogo amarg