Aurora Moretti
O despertar em um hotel de luxo costuma ser acompanhado por uma sensação de renovação, mas para uma Moretti, o instinto de alerta nunca dorme totalmente. O sol de São Paulo começava a refletir nos arranha-céus da Avenida Paulista quando abri os olhos. Sebastian já não estava na cama. O lado dele ainda estava quente, o cheiro de sândalo impregnado nos lençóis, mas o silêncio do quarto era perturbador.
Levantei-me, enrolada no lençol, e caminhei até a sala de estar da suíte. Encontrei-o de pé, junto à parede de vidro, falando ao telefone em um tom baixo e autoritário. Ele já estava vestido — calça de alfaiataria e uma camisa branca com os primeiros botões abertos. Ele parecia um rei observando seu domínio.
— ...não aceito menos que a vitória nessa licitação — ele dizia. — Se os Moretti atravessarem o nosso caminho no projeto do novo centro empresarial, usem o plano B. Quero os custos deles na minha mesa até o meio-dia.
O nome da minha família saindo da boca dele, naqu