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Capítulo 8 – O chamado

Gabriela narrando

Três anos depois...

O tempo passou como um verdadeiro furacão.

Hoje completo dezoito anos.

Assim como aconteceu no meu aniversário de quinze, meu pai fez questão de organizar uma festa gigantesca. Era a maneira dele de demonstrar o quanto me amava, mesmo que, por muitos anos, tivesse deixado o trabalho ocupar o lugar de tantos momentos que poderíamos ter vivido juntos.

Depois daquela conversa com Diego, três anos atrás, tudo voltou a ser como antes.

Ou pelo menos era o que eu acreditava.

Ele continuou sendo meu melhor amigo, meu porto seguro e meu protetor.

Sabrina nunca descobriu o que aconteceu naquela noite. Ela tentou arrancar a verdade de nós inúmeras vezes, mas aquele beijo permaneceu apenas entre mim e Diego.

Era um segredo nosso.

E, apesar de todas as circunstâncias, eu gostava que continuasse assim.

Porque, de alguma forma, aquele momento sempre seria especial.

Quanto ao Ruan...

Bom...

Ele continuava vivendo seu relacionamento escondido com a Raquel.

Seu pai jamais poderia descobrir.

Eu conhecia bem o homem que ele era e sabia que nunca aceitaria aquele namoro.

E eu...

Ainda o amava.

Talvez não com a mesma intensidade desesperadora de antes, mas aquele sentimento ainda existia.

A diferença era que já não doía tanto.

Aprendi que amar alguém também significava desejar sua felicidade, mesmo quando ela não era ao seu lado.

E, sinceramente...

Eu estava feliz por vê-lo feliz.

Sorri para meu reflexo no espelho.

O vestido branco desenhava perfeitamente meu corpo, enquanto o tecido leve parecia iluminar minha pele.

Meus cabelos caíam em ondas pelas costas, e a maquiagem realçava meus olhos azuis.

Pela primeira vez em muito tempo, gostei da garota que via diante do espelho.

Também tomei uma decisão importante durante esses três anos.

Escolhi cursar faculdade de Moda.

Sempre fui apaixonada por esse universo.

Meu pai me apoiou desde o primeiro instante.

Ele sabia que eu nunca tive vocação para assumir seus negócios.

Mesmo assim, insistia em dizer que, quando eu me casasse, tudo seria meu.

E, sinceramente...

Nem eu sabia se queria aquela responsabilidade.

Fui tirada dos meus pensamentos quando ouvi batidas na porta.

Meu pai entrou.

Assim que seus olhos encontraram os meus, eles se encheram de lágrimas.

Ele sorriu.

— Você está cada dia mais parecida com a sua mãe.

Meu peito apertou.

Sabia o quanto aquela lembrança ainda machucava.

Ele caminhou lentamente até mim segurando uma pequena caixa de veludo.

— Tenho um presente para você.

Peguei a caixa com cuidado.

Quando a abri, perdi completamente a fala.

Dentro dela havia um delicado colar de esmeraldas acompanhado por um par de brincos igualmente deslumbrantes.

— Pai...

Minha voz saiu quase em um sussurro.

— Eles são lindos.

Ele sorriu com os olhos marejados.

— Foi o primeiro presente que dei à sua mãe.

Olhei para ele completamente surpresa.

— O quê?

Ele acariciou meu rosto.

— Não diga nada.

Respirou fundo antes de continuar.

— Ela me pediu que esse conjunto fosse entregue a você quando completasse dezoito anos.

As lágrimas escorreram pelo meu rosto.

Meu pai retirou cuidadosamente o colar da caixa e o colocou em meu pescoço.

Depois coloquei os brincos.

Ele levou a mão ao bolso do paletó e tirou uma fotografia antiga.

Quando olhei a imagem, meu coração quase parou.

Minha mãe.

Ela usava exatamente o mesmo vestido que eu estava vestindo naquele momento.

Levei a mão à boca.

— Papai...

Ele sorriu entre as lágrimas.

— Na verdade, mandei fazer esse vestido igual ao dela.

Respirou fundo.

— Eu queria vê-las parecidas... pelo menos uma última vez.

Não consegui dizer absolutamente nada.

Apenas o abracei.

Ele me apertou com força.

— Vamos?

Assenti.

— Todos já chegaram.

Descemos juntos a enorme escadaria.

A festa estava linda.

Assim que apareci, ouvi aplausos.

Sabrina foi a primeira a correr em minha direção.

Depois vieram todos os outros amigos.

Diego, como sempre, permaneceu ao meu lado praticamente a noite inteira.

Educado.

Gentil.

Atencioso.

Exatamente como sempre foi.

Enquanto conversava com todos, meus olhos procuravam discretamente uma pessoa.

Ruan.

Durante esses anos quase não nos falamos.

Ele e Raquel pareciam viver apenas um para o outro.

Ainda conversávamos de vez em quando por mensagens.

Raquel havia parado completamente de falar comigo.

Nunca descobri o motivo.

Ruan me contou que estava estudando para abrir sua própria empresa.

Seu sonho era conquistar independência suficiente para viver seu relacionamento sem precisar esconder ninguém.

E, sinceramente...

Eu torcia muito para que desse certo.

Ele havia dito que viria à festa.

Talvez tivesse acontecido algum imprevisto.

Sorri para mim mesma.

Estava tudo bem.

A noite foi perfeita.

Dancei.

Ri.

Aproveitei cada segundo.

Quando a festa terminou e os convidados começaram a ir embora, subi sozinha para o terraço.

A brisa da noite acariciava meu rosto.

Levantei os olhos para o céu.

As estrelas brilhavam intensamente.

Era uma noite linda.

Fiquei ali, perdida nas lembranças de tudo o que vivi durante aqueles anos.

— Queria saber o que você pensa tanto.

Sorri antes mesmo de me virar.

Reconheceria aquela voz em qualquer lugar.

Quando me virei, encontrei dois olhos verdes me observando.

Diego.

Sempre ele.

Sorri.

— Estou nostálgica.

Ele riu.

— Imaginei.

Nas mãos, carregava duas taças de champanhe.

Estendeu uma para mim.

— Brinda comigo.

Peguei a taça.

— O que estamos comemorando?

Ele sorriu de um jeito diferente.

— Tenho uma novidade.

Fiquei curiosa.

Batemos as taças delicadamente.

— Agora conta.

Ele abriu a boca para responder.

Mas meu celular começou a tocar.

Olhei rapidamente para a tela.

Ruan.

Ignorei.

Diego continuou esperando.

O celular tocou novamente.

Olhei para ele sem saber o que fazer.

Diego franziu levemente a testa.

— Atende.

Fez um pequeno sorriso.

— Talvez ele só queira te dar os parabéns.

Assenti.

Atendi a ligação.

— Ruan?

Mas a voz do outro lado não soava nada como eu esperava.

Estava trêmula.

Desesperada.

— Gabi...

Meu coração acelerou.

— Me desculpa ligar justamente hoje...

Você é a única pessoa em quem eu posso confiar.

Meu corpo inteiro enrijeceu.

— O que aconteceu?

Houve alguns segundos de silêncio.

Então ele falou quase em um sussurro:

— Por favor... eu preciso de você.

— Onde você está?

— Na casa de campo.

Meu estômago revirou.

— O que houve?

A resposta veio carregada de dor.

— Só vem, Gabi...

Por favor.

Olhei imediatamente para Diego.

Pela expressão dele, eu sabia que tinha ouvido praticamente toda a conversa.

Respirei fundo.

— Já estou indo.

Desliguei.

Diego permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Depois apenas disse:

— Vai.

Assenti.

— Pelo tom da voz dele... ele realmente precisa de você.

Mordi o lábio.

— E a sua novidade?

Ele sorriu, mas havia um brilho de tristeza escondido em seus olhos.

— Pode esperar até amanhã.

Meu coração apertou por um instante.

— Obrigada.

Sem perder mais tempo, desci as escadas correndo.

Peguei a chave do carro e saí em disparada.

Enquanto dirigia pela estrada escura, uma única pergunta não saía da minha cabeça.

O que tinha acontecido com o Ruan?

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