Início / Romance / O amor no lugar errado / Capítulo 3 – O beijo que mudou tudo
Capítulo 3 – O beijo que mudou tudo

Dançar com Diego havia sido surpreendentemente leve.

Pela primeira vez naquela noite, eu tinha conseguido esquecer a dor que insistia em apertar meu peito. Ele me fazia rir com comentários bobos, girava comigo pelo salão como se fôssemos os únicos ali e, por alguns minutos, eu quase acreditei que tudo ficaria bem.

Mas a realidade nunca demorava muito para me encontrar.

Assim que a música terminou, Ruan apareceu ao nosso lado.

— Será que eu posso roubar a aniversariante por uma dança?

Diego me olhou, sorriu de canto e soltou minha mão.

— Tudo bem. Ela é sua... por uma música.

Sorri em agradecimento e deixei que Ruan me conduzisse de volta à pista.

Assim que começamos a dançar, ele se aproximou um pouco mais e falou em voz baixa:

— Preciso que você vá até a casa de campo ainda esta noite. Já está tudo preparado para a surpresa.

Meu corpo inteiro congelou.

Forcei um sorriso.

— Tudo bem. Assim que a festa terminar.

O rosto dele se iluminou.

— Sabia que podia contar com você.

Respirei fundo antes de falar.

— Mas eu tenho um pedido.

Ele me encarou com seriedade.

— O que você quiser.

— Eu não vou dormir lá... e quero que o Diego vá comigo.

O sorriso desapareceu do rosto dele.

— Por quê?

— Porque eu não quero atrapalhar. Vocês precisam desse momento a sós.

Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Depois franziu a testa.

— E por que justamente o Diego? Esse garoto não desgruda de vocês.

Quase ri da forma como ele falou, mas mantive a postura.

— Porque ele é meu melhor amigo. Assim como você. E... ele sempre foi meu porto seguro.

Ruan balançou a cabeça negativamente.

— Não, Gabi... ele é diferente.

— Diferente como?

Ele hesitou.

— Esse cara... gosta de você.

Pisquei algumas vezes, surpresa.

Já era a segunda pessoa que insinuava aquilo.

Ri, tentando afastar aquela ideia.

— Para de imaginar coisas. O Diego é meu melhor amigo.

Cruzei os braços.

— E, se ele não for comigo... eu também não vou.

Ruan soltou um longo suspiro antes de ceder.

— Está bem. Mas vocês precisam sair sem que ninguém perceba.

— Eu já pensei nisso. O motorista do Diego vai nos levar. Assim ninguém desconfia.

Ele assentiu e voltamos a dançar como se nada tivesse acontecido.

A festa seguiu normalmente.

Até chegar o momento mais esperado da noite.

O bolo.

Sabrina precisou ir embora mais cedo porque o pai havia passado mal. Com isso, coube a mim decidir quem receberia o primeiro pedaço.

Olhei discretamente para Ruan.

Depois para Diego.

Os dois aguardavam minha decisão.

Mas, naquela noite, só havia uma pessoa que realmente merecia aquele gesto.

A pessoa que sempre esteve ao meu lado.

Que me fazia sorrir quando tudo parecia desabar.

Que me protegia sem nunca pedir nada em troca.

Caminhei até Diego.

Os olhos verdes dele se arregalaram de surpresa.

Estendi o prato.

— É seu.

Por alguns segundos ele apenas me encarou.

Depois sorriu daquele jeito que fazia qualquer ambiente ficar mais bonito.

Sem dizer uma única palavra, me abraçou.

Foi um abraço forte.

Seguro.

Quente.

Senti um arrepio percorrer meu corpo inteiro.

Era uma sensação completamente diferente de tudo o que eu já havia experimentado.

Quando nos afastamos, vi Ruan observando a cena.

Ele tentou esconder o incômodo.

Mas eu percebi.

---

Pouco tempo depois, saímos discretamente da festa.

Ruan seguiu na frente.

Eu, Diego e Raquel fomos juntos no carro.

Durante todo o caminho, tentei convencer meu coração de que aquilo fazia parte da vida.

Que eu precisava aceitar.

Que Ruan nunca seria meu.

Mas meu coração parecia não entender.

Quando chegamos à casa de campo, tudo estava iluminado.

Velas.

Flores.

Luzes espalhadas pelo jardim.

Era lindo.

E doía.

Assim que Raquel entrou, Ruan apareceu.

Estava ajoelhado, segurando um pequeno buquê nas mãos.

— Raquel... eu sempre fui apaixonado por você. Hoje encontrei coragem para dizer isso. Você aceita namorar comigo?

Raquel levou as mãos ao rosto.

As lágrimas escorreram antes mesmo que ela respondesse.

No instante seguinte, correu até ele.

— Eu também sempre te amei.

Ela o abraçou e o beijou.

Naquele momento...

Meu coração afundou.

Era como assistir ao fim de um sonho que eu alimentava desde a infância.

Mal percebi quando uma mão segurou a minha.

Levantei lentamente o rosto.

Diego.

Ele não disse absolutamente nada.

Mas seus olhos demonstravam tudo.

Preocupação.

Carinho.

E um sentimento que eu ainda não conseguia nomear.

Sem fazer perguntas, ele entrelaçou nossos dedos e me conduziu para fora da casa.

Entramos no carro em silêncio.

Nenhuma palavra era capaz de aliviar aquela dor.

Depois de alguns minutos, Diego falou com o motorista.

— Nos leva para o mirante.

Sorri de leve.

Eu conhecia aquele lugar.

Sempre que ele precisava colocar a cabeça no lugar, era para lá que ia.

Hoje...

Era ele quem estava me levando.

Quando chegamos, subimos até o ponto mais alto do morro.

A cidade inteira brilhava diante de nós.

Ficamos alguns segundos apenas observando as luzes.

Então ele segurou delicadamente minha mão.

— Para de tentar ser forte, Gabi.

Minha garganta apertou.

Ele continuou, com a voz baixa.

— Eu vi você desmoronar no instante em que entrou naquela casa.

Aquilo foi tudo o que eu precisava ouvir.

As lágrimas vieram sem que eu conseguisse impedir.

Chorei.

Chorei como nunca havia chorado.

Toda a dor que eu escondi durante horas finalmente encontrou um caminho para sair.

Diego me abraçou.

Com calma.

Sem pressa.

Sem dizer que tudo ficaria bem.

Apenas permaneceu ali.

Presente.

Quando minhas pernas fraquejaram, ele se sentou no gramado e me puxou delicadamente para perto. Encostei as costas em seu peito enquanto seus braços me envolviam em um abraço firme e acolhedor.

Pela primeira vez naquela noite...

Eu me senti segura.

O silêncio entre nós não era desconfortável.

Era um silêncio que curava.

Depois de algum tempo, minhas lágrimas cessaram.

Respirei fundo e virei o rosto para agradecer.

Foi então que realmente o enxerguei.

Os cabelos escuros bagunçados pelo vento.

Os olhos verdes refletindo as luzes da cidade.

O sorriso discreto.

Como eu nunca tinha percebido o quanto Diego era bonito?

Ficamos muito próximos.

Próximos o suficiente para ouvir a respiração um do outro.

Meu coração voltou a acelerar.

Sem pensar nas consequências...

Sem medir o que aquilo significava...

Aproximei meu rosto do dele e o beijei.

Por um breve instante, Diego permaneceu imóvel, completamente surpreso.

Depois levou uma das mãos ao meu rosto com delicadeza.

Quando correspondeu ao beijo, fez isso com uma calma quase reverente, como se quisesse me dar tempo para mudar de ideia.

Não havia pressa.

Nem exigência.

Apenas carinho.

Meu primeiro beijo.

E, de alguma forma, parecia exatamente como deveria ser.

Quando nossos lábios finalmente se separaram, permaneci com a testa encostada na dele, tentando recuperar o fôlego.

A cidade continuava iluminada diante de nós.

Mas, naquele instante...

Parecia que o mundo inteiro havia parado.

E, pela primeira vez naquela noite, meu coração já não doía da mesma forma.

Talvez porque, sem perceber...

Enquanto perdia um grande amor, eu estivesse encontrando outro.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App