Mundo de ficçãoIniciar sessãoGabriela narrando
Meus pensamentos foram interrompidos pela Sabrina, que entrou na sala como um verdadeiro furacão. — Oi, Gabi! Levantei o olhar e forcei um sorriso. Ela caminhou até mim e, assim que me observou melhor, franziu a testa. — O que aconteceu? Pisquei, fingindo não entender. — Como assim? — Você está com uma cara péssima. Sorri de leve. — Não é nada... Só dormi demais. Antes que ela pudesse insistir, ouvi a porta se abrir novamente. Meu coração acelerou no mesmo instante. Diego. Ele entrou como sempre fazia, mas havia alguma coisa diferente. Seu sorriso habitual não estava ali. Seus olhos pareciam cansados, e seu jeito leve havia dado lugar a um silêncio estranho. Nossos olhares se encontraram por apenas alguns segundos. Fui a primeira a desviar. Conversamos sobre assuntos aleatórios, mas eu evitava encará-lo. E, pela maneira como ele permanecia quieto, eu tinha certeza de que ele havia percebido. Depois de alguns minutos, Sabrina cruzou os braços e nos analisou com atenção. — O que está acontecendo com vocês dois? Eu e Diego respondemos exatamente ao mesmo tempo: — Nada. Ela estreitou os olhos. — Isso foi muito suspeito. Nós dois permanecemos em silêncio. — Aconteceu alguma coisa, e vocês não querem me contar. Diego se remexeu na cadeira e deu um sorriso sem graça. — Você está imaginando coisas. Sabrina apontou para nós dois. — Tudo bem. Não vão contar agora... mas eu vou descobrir. Acabei rindo pela primeira vez naquele dia. Era impossível não rir com a Sabrina. Pouco tempo depois, o celular dela tocou. Ela olhou para a tela. — É a minha mãe. Atendeu rapidamente e, alguns minutos depois, desligou. — Preciso ir. Depois eu volto para terminar esse interrogatório. Ela piscou para nós antes de sair. Assim que a porta se fechou, o silêncio tomou conta da sala. Ficamos apenas eu e Diego. Meu coração voltou a acelerar. Respirei fundo. Era agora. — Diego... precisamos conversar. Ele ficou visivelmente tenso. Apenas assentiu com a cabeça. — Sobre ontem... Ele respirou fundo, como se já soubesse o que eu iria dizer. Baixei os olhos por um instante. — Me perdoa pelo que eu fiz. Minha voz saiu baixa. — Eu agi por impulso... e acabei cometendo um erro. Quando tive coragem de encará-lo novamente, encontrei uma tristeza enorme escondida atrás daqueles olhos verdes. Mesmo assim, continuei. — Eu nunca contei isso para vocês... mas me apaixonei pelo Ruan desde o dia em que o conheci. Minha garganta apertou. — E ontem foi muito difícil descobrir que esse amor nunca foi correspondido. Diego permaneceu em silêncio por alguns segundos. Depois levantou a cabeça e sorriu de maneira discreta. Um sorriso triste. — Gabi... Sua voz saiu tranquila. — Eu sei que você me beijou por impulso. Meu coração apertou. — E está tudo bem. Ele respirou fundo antes de continuar. — Nada vai mudar entre a gente. Naquele instante senti um peso enorme desaparecer dos meus ombros. Olhei para ele e sorri. Meu pai estava errado. Diego me via exatamente como eu o via. Como um amigo. Levantei e o abracei com força. Assim que meus braços envolveram seu corpo, senti seus músculos ficarem tensos por um breve instante. Mas logo ele retribuiu o abraço. Fechei os olhos. — Obrigada, Diego. Minha voz saiu carregada de gratidão. — Você é a pessoa em quem eu mais confio neste mundo. Respirei fundo. — Obrigada por nunca sair do meu lado. Ele não respondeu. Apenas apertou o abraço por alguns segundos antes de me soltar lentamente. Quando nossos olhares voltaram a se encontrar, ele sorriu. Um sorriso pequeno. Bonito. Mas que, de alguma forma, não alcançava seus olhos. Naquele momento, eu tive certeza de que tudo ficaria bem. Mal sabia eu... Que, enquanto meu coração finalmente encontrava paz, o dele acabava de se partir em silêncio.






