KAEL
O escritório do meu avô é minha nova prisão. As paredes são de um verde escuro, a cor de folhas antigas que já perderam o brilho. Há livros alinhados com precisão quase militar, e, entre eles, uma fileira de miniaturas de avião. A poltrona onde estou é funda e confortável, feita de couro preto, frio ao toque.
O peso do corpo afunda no assento, mas nada me relaxa. O que pulsa dentro de mim não é calma, é instinto. Selvagem, faminto, inquieto.
As mãos tremem, mesmo com as ataduras brancas q