Naquele instante, Eli ouviu a voz fria do pai ecoar ao fundo, ordenando que todos ficassem imóveis. A rigidez do comando atravessou o ar como uma lâmina, e os homens obedeceram sem hesitar, virando-se para a entrada principal.
Alex avançava com uma aparência impecável e uma vitalidade quase antinatural para alguém da idade dele. A presença dele pesava no ambiente; ninguém ousava encará-lo diretamente. Sob o braço, carregava algo embrulhado num pano preto, como se fosse um segredo prestes a ser revelado.
Para Eliezer, o pai era um homem desprezível, incapaz de qualquer traço de humanidade. Ainda assim, era seu pai. Já os homens ao redor não tinham essa contradição: sabiam descrever de cor a podridão daquele homem, que facilmente poderia substituir o próprio demônio no inferno.
— Eliezer… — começou Alex, com uma voz profunda, sem emoção alguma. — Sempre que eu te digo algo, você insiste em me ignorar. Eu te avisei inúmeras vezes sobre aquele maldito do Delcime, e todas as vezes você