Meu apartamento em Ipanema era silencioso. Não havia o eco dos passos dos empregados da mansão, nem o peso da história dos Montiel nas paredes. Havia apenas eu, minha cafeteira e a vista do mar cinzento. Fazia três dias que eu tinha saído de casa. Três dias sem falar com Gabriel. Ele tinha ligado vinte vezes. Eu não atendi nenhuma. A raiva ainda queimava, mas por baixo dela, havia uma dúvida corrosiva. Gabriel não era um covarde. Ele era muitas coisas — arrogante, controlador, intenso — mas cov