####CAPÍTULOS 01

DOIS ANOS DEPOIS

SABINE

Ao chegar em casa no fim da tarde, senti um profundo cansaço, mas, surpreendentemente, minha mente estava tranquila.

O portão lateral se fechou atrás de mim, abafando os barulhos da estrada, e o silêncio familiar me envolveu como um abraço acolhedor.

— Minha casa, simples e prática, estava situada ao lado da dos meus pais, separada apenas por um pequeno jardim que cuidei com minhas próprias mãos.

Assim que cruzei a porta, o aroma acolhedor da comida da casa principal me recebeu, trazendo à memória momentos de infância em que a cozinha era o coração da casa.

— Minha mãe estava na cozinha, como sempre, com uma organização impecável e atenta aos detalhes, mantendo a mesma rotina que sustentou suas atividades ao longo dos anos.

Lembrei-me de quando ajudamos aquele gatinho que ficou preso na árvore e como ficamos felizes ao vê-lo em casa, saudável.

— Essas experiências me ensinaram que todo pequeno gesto faz a diferença na vida dos animais, e o olhar de gratidão que eles expressam é a maior recompensa.

Lembro-me das longas conversas cheias de sonhos e planos, e como nossa paixão por ajudar os animais sempre nos uniu.

— Antes que ela pudesse responder, ouvi os passos familiares no corredor.

A babá apareceu com as crianças, uma em cada braço, conversando e rindo.

— A alegria que trazem ao nosso lar é como uma luz que ilumina os cantos mais escuros da casa, e um aperto no coração se formou, um reflexo automático que sempre surge quando as vejo.

A inocência e a curiosidade delas são contagiantes, lembrando-me da importância de valorizar cada momento.

— Vou tomar um banho — anunciei, já a caminho do quarto.

— Estou coberta de pelos e com cheiro de clínica. Pode dar o jantar delas enquanto isso?

Voltarei logo para ficar com eles.

—Minha mãe assentiu e subi as escadas sentindo que, apesar de tudo, a vida seguia em frente.

De uma forma diferente do que um dia imaginei, mas ainda assim plena, assim como o jardim que floresce mesmo em tempos difíceis.

— Ao olhar para o pequeno espaço verde que criei, lembrei-me das flores que plantei em cada estação, simbolizando os ciclos da vida e como é importante cuidar do que amamos.

Foi assim, entre rotinas, escolhas e responsabilidades, que construí o que é meu.

A clínica estava situada nos arredores da cidade…

— Cheguei em casa no fim da tarde, com o corpo cansado, mas a mente estranhamente em paz.

O portão lateral se fechou atrás de mim, abafando os ruídos da estrada, e o silêncio familiar voltou a me envolver como um abrigo.

— Minha casa ficava anexa à dos meus pais, separada apenas por um pequeno jardim que eu mesma havia mandado cuidar.

Era simples, funcional, do jeito que eu precisava para viver com meus filhos.

— Assim que entrei, senti o cheiro de comida vindo da casa principal.

Minha mãe estava na cozinha, como quase sempre, organizada, atenta aos detalhes, mantendo aquela rotina que sempre foi seu alicerce.

— Como foi hoje? — ela perguntou, sem tirar os olhos da panela.

Soltei a bolsa sobre a cadeira e suspirei, passando a mão pelo rosto.

— Foi puxado, mamãe… mas gratificante, ele é lindo. — Apoiei-me no balcão.

— Teve uma cirurgia longa pela manhã e depois resgatei um cachorrinho que foi atropelado e deixaram na estrada.

— Fiz o possível por ele, vai precisar de cuidados, mas vai ficar bem.

Ela finalmente me olhou, arqueando uma sobrancelha.

— Você está transformando essa casa em um zoológico, já não bastam os gatos, agora vai trazer cachorro também?

Sorri de canto, sem culpa alguma.

— A senhora sabe que eu sempre preferi os animais às pessoas, eles são meus melhores amigos.

— Dei de ombros.

— E, graças a Deus, hoje eu tenho condições para adotar os pets que eu vou resgatar.

Sempre foi o meu sonho e a senhora sabe muito bem como eu sou. Antes que ela respondesse, ouvi os passos conhecidos no corredor.

— A babá surgiu com as crianças, uma em cada braço, conversando e rindo.

Meu peito se apertou naquele reflexo automático que sempre acontecia quando eu as via.

— Vou tomar um banho — falei, já caminhando em direção ao quarto

. — Estou imunda de pelos e cheiro de clínica. Enquanto isso, você dá o jantar delas e eu já volto para ficar com elas.

Minha mãe assentiu, e eu subi as escadas com a sensação de que, apesar de tudo, a vida seguia.

— Diferente do que eu havia imaginado um dia, mas ainda assim inteira. — Foi assim, entre rotinas, escolhas e responsabilidades, que construí o que era meu.

A clínica estava situada nos arredores da cidade, longe da agitação turística que atraía hordas de visitantes em busca das belezas naturais e históricas da região.

— Este refúgio, envolto pela serenidade da natureza, era acolhedor; se via um campo verdejante que se estendia até onde a vista alcançava, com árvores que dançavam ao vento e o canto dos pássaros como trilha sonora.

Era um espaço simples e funcional, erguido do zero com meus próprios recursos, uma verdadeira culminação de sonhos e muita dedicação.

— Com habilidade e atenção, fiz escolhas cuidadosas — desde a pintura das paredes até a disposição dos móveis — sempre mantendo a disciplina que levei para o cuidado com os animais, ciente de que cada detalhe impactava o bem-estar dos meus pacientes.

Nesse ambiente acolhedor e amoroso, atendia tanto criadores da região quanto proprietários de pequenas propriedades rurais; pessoas que respeitavam meu trabalho e compreendiam que a vida vai muito além de meros números, refletindo uma conexão profunda entre os seres humanos e os animais que amavam.

A Grécia oferecia um cenário perfeito, repleto de criadores dedicados que viam seus animais como parte da família, espaço para atender as demandas e uma necessidade evidente por cuidados veterinários, já que muitos dependiam de seus animais para prosperar, seja na produção agrícola ou em atividades de pastoreio.

— Evitei me apegar ao passado, avançando com a certeza de que a vida continua, mesmo diante das cicatrizes que deixaram suas marcas em mim.

Algumas dessas cicatrizes podem nunca se curar completamente, assim como uma fenda em uma planta que aprende a crescer, apesar dos desafios impostos pelo tempo e pelas intempéries.

— Aprendi a coexistir com essas cicatrizes, assim como um agricultor adapta suas técnicas às condições climáticas adversas, seja mudando o calendário de plantio ou escolhendo variedades que tipicamente resistem às intempéries.

Cada desafio se tornava uma oportunidade para reinventar-me, e cada encontro com um animal não apenas aliviava as dores do corpo, mas também proporcionava uma cura silenciosa para a minha própria alma.

Cheguei em casa no fim da tarde, cansada, mas inteira.

— O aroma familiar do jantar preparado por minha mãe invadiu meus sentidos, trazendo consigo uma sensação reconfortante, como um abraço caloroso após um longo dia.

Ela estava na cozinha, organizando os utensílios com a naturalidade de quem sempre encontrou equilíbrio nas pequenas rotinas diárias, cada movimento seu uma dança coreografada pela experiência.

— Minha filha — ela disse, com um tom de urgência que capturou minha atenção — seu pai recebeu um convite para um evento e precisamos comparecer, e você foi convidada.

— Está bem — respondi, deixando a bolsa de lado com um suspiro resignado, sentindo a convencionalidade das obrigações familiares se aproximarem.

— E o Petros?

Ela balançou a cabeça levemente, sua expressão, mantendo um misto de compreensão e preocupação.

— Não filha, não vai poder, pois Petros entrou na faculdade faz pouco tempo, como você já sabe.

Ele entrou na universidade a poucos dias e não poderá ir, fez uma pausa breve, seus olhos avaliando a carga da situação que se aproximava.

— Precisamos que você vá conosco, amanhã em um evento, amanhã, seria possível você sair mais cedo da clínica?

— Consigo, sim, mamãe, vou me organizar, e deixar o plantonista no meu lugar.

A responsabilidade da clínica e o compromisso com minha família se entrelaçam em um dilema familiar profundo, mas estava disposta a encontrar uma solução.

Ela assentiu, satisfeita, a linha de tensão em seu rosto relaxando um pouco.

— E as crianças, deram muito trabalho? — perguntei, quase automaticamente, com a preocupação maternal despertando em mim.

Minha mãe sorriu, seu olhar iluminou-se ao mencionar as meninas.

— Você sabe que a Darius e a Irina são uma força da natureza — disse, rindo levemente, o som de sua risada vida um bálsamo para meu cansaço.

— Apesar de tão pequenas, a Darius, com pouco mais de um ano, já anda pela casa toda chamando "mamã", como se estivesse desesperadamente tentando assemelhar-se a nós em sua busca por atenção e amor.

Suspirei e sorri sem perceber, lembrando-me de como a curiosidade delas transforma qualquer ambiente em um lugar cheio de vida, como um jardim que floresce em diferentes estações, cada sorriso e risada uma nova pétala desabrochando.

— E o nosso pequeno Darius?

— O Darius… — ela pensou por um instante, como se as memórias do menino estivessem dançando em sua mente — ele observa tudo.

— É uma criança muito atenta e tranquila, como uma esponja absorvendo tudo ao seu redor, aprendendo com cada detalhe, cada voz, cada expressão.

Olhou para mim com cuidado, como se quisesse transmitir a importância da conexão que compartilhamos através dele.

— A menina é a cópia do pai, fisicamente, a personalidade não sabemos, pois você não conviveu com ele, e nós nem o comemos, seu pai adoeceu naquele tempo.

Já Dárius, tem seu jeito mais reservado, como uma sombra silenciosa que observa o sol brilhar, um espírito contemplativo que, embora quieto, carrega a sabedoria dos que vêm antes dele, é igual a você.

Meu sorriso se desfez ao ouvir o que mamãe falou.

— Mamãe… — respirei fundo, tentando processar a profundidade do que estava prestes a dizer — eles não têm pai, só têm mãe.

E nunca terão pai. Eu serei pai e mãe para os meus filhos, assumindo uma responsabilidade dupla que me pesa, mas também me enche de amor.

— Enquanto falava, uma onda de emoção invadia meu peito, uma mistura de determinação e dúvida, pois a escolha de ser uma figura parental em tempo integral é um caminho repleto de incertezas.

Ela me olhou em silêncio por alguns segundos, suas expressões revelando uma combinação de compreensão e preocupação, antes de falar.

— Filha, você acha que isso é correto?

— Sua pergunta pairou no ar como um eco, muito mais complexa do que eu poderia responder naquele momento.

Não respondi de imediato, absorvendo suas palavras e pesando o que realmente significavam.

— Uma criança precisa de um pai e de uma mãe — ela continuou de maneira suave, quase carinhosa, mas firme, sem reprovação, como se estivesse me guiando pelo caminho da reflexão.

— Pense na importância dos modelos de paternidade e maternidade; é como uma árvore frutífera que precisa de raízes fortes e um solo nutritivo para crescer saudável.

Para que eles possam florescer, é necessário que tenham referências que os ajudem a entender o mundo ao seu redor.

— Por mais que você tenha sido magoada no passado… lembre-se de que um dia eles vão perguntar.

E eles têm o direito de saber sobre suas origens, sobre seu pai.

— O que eu desejava era proteger os meus filhos de uma dor que já conheço de perto, mas cada decisão tem suas consequências.

Desviei o olhar, sentindo um nó na garganta; algumas verdades não podem ser negadas, apenas adiadas, assim como um agricultor que deve finalmente decidir se colhe seus frutos ou os deixa apodrecer.

— A vida, afinal, exige que estejamos dispostos a enfrentar os desafios, mesmo que eles estejam envoltos em memórias dolorosas.

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