Mundo de ficçãoIniciar sessãoTrês anos de inferno. Foi o tempo que Beatriz suportou um casamento onde o amor virou controle, o ciúme virou cárcere e o toque virou punição. Sem dinheiro, sem família e sem rumo, ela foge no meio da noite. Mas quando seu carro morre na porta de um bar isolado, ela descobre que o perigo da estrada pode ser pior que o monstro que deixou em casa. Um predador implacável. Isaac Stone é um lobisomem exilado. Mercenário. Frio. Letal. Veio à Terra para matar um homem e sumir. Bastou um único toque em Beatriz para que seu lobo - adormecido há anos - despertasse com uma única ordem: Minha. Um segredo sombrio. Beatriz é humana. Frágil. Marcada pelo medo. Ela não acredita mais em amor e se recusa a pertencer a outro homem. O que ela não sabe é que o marido de quem fugiu nunca foi humano. Ele é um rogue - um lobo instável e cruel que passou anos reprimindo sua natureza para mantê-la dócil e isolada. E agora que sentiu o cheiro de outro macho nela, ele vai caçá-la até o fim. No mundo dos lobos, uma afronta dessas só se resolve com sangue. Isaac sabe que uma humana quebrada não sobrevive ao mundo dele. Mas também não pode deixá-la ir. Agora o mercenário terá que se tornar o escudo dela. Terá que provar que nem toda força machuca. E ela terá que ensinar ao monstro que nem todo vínculo é uma prisão. Ele é o único capaz de matar o passado dela. Ela é a única capaz de domar o monstro dele. Mas salvá-la terá um preço que nenhum dos dois está pronto para pagar.
Ler maisPOV Isaque
Bar do Jack.
Dizia a placa torta do lado de fora com uma luz amarela piscando em cima.
Do lado de dentro: um lugar decadente, fedendo a mofo, óleo velho e sangue seco no piso de madeira.
Para os humanos, é só mais um boteco de beira de estrada caindo aos pedaços. Para quem fareja, fede a latrina. Um ponto neutro entre as criaturas conhecidas como sobrenaturais. Vampiros perdidos e lobos mortos de fome dividem o mesmo balcão, sem se matar.
Era um bar como qualquer outro dos que costumo frequentar. Mas aquele em especial tinha uma razão para eu ir. Era o bar que o meu alvo sempre vai, de acordo com a minha investigação.
Escolhi a mesa do fundo, de costas para a parede. Era um lugar privilegiado que me oferecia a visão total de quem entrava e saía do bar, além de ser próxima ao canto do balcão, de onde eu pedi a minha bebida sem chamar muita atenção.
A jaqueta de couro pesava no meu corpo. Uma gota de suor escorreu pela minha testa, apesar do frio do lugar. Não havia aquecimento no bar. E o frio de fora era daqueles que entrava no osso, com neblina forte e vidro embaçado. Suava porque o frio já não me afetava tanto.
Não depois de vários invernos dormindo em grutas úmidas em Oníria, comendo o que conseguia encontrar.
O corpo aprendeu.
Trinta e dois anos. É o que o espelho quebrado do banheiro me disse hoje. Barba de três dias, cabelo castanho grande demais, cicatriz grossa branca subindo do pulso até o ombro direito por baixo da jaqueta — lembrança de um desgraçado que tentou arrancar meu braço na mordida. Outra fina cortando minha sobrancelha esquerda. E as tatuagens no pescoço descendo para o peito, que adquiri no plano da lua de sangue e outras mais que adquiri perdido por aí.
Um dia. Que parecia distante demais para ser real. O Alfa Orium disse que eu poderia ser um general.
Joguei meu futuro fora. Hoje sou um mercenário. 10 mil por cabeça. Faço o que não é qualquer um que tem estômago para fazer.
Fui mimado, fui preconceituoso, fui traidor. Acreditei na mulher errada e ajudei a ferrar com a minha luna. A verdadeira companheira do meu alfa. Fui expulso como um cão sarnento. Merecido.
A porta abriu.
Finalmente, meu alvo chegou. Minha mão foi automaticamente para a pistola no coldre. Sujeito asqueroso. Pele oleosa, cabelo oleoso grudado na cabeça. Suor e cheiro de azedo. Baixo. Alguém que merece morrer. Ossos do ofício. Em alguns momentos esse trabalho é satisfatório. Afinal, estou sendo muito bem pago para fazer algo que eu faria de graça.
Ele sentou diante do balcão não muito distante, como se fosse o dono do lugar, pediu um uísque barato rindo alto com seus comparsas.
Não demorou muito para o lixo de gente se afastar para o corredor dos banheiros.
Perfeito. Não preciso fazer barulho. Tirei a mão que estava sobre a arma e me abaixei devagar até a bota. O cabo da lâmina já estava gelado. Meu lobo, que quase não interage comigo há anos, apenas fungou de tédio, acostumado com o que já tinha se tornado a minha rotina.
Dois passos. Era só levantar e dar dois passos até o corredor do banheiro.
Me levantei pronto para agir. E acabar logo com mais um "dia de trabalho". Mas antes que eu desse um passo, a porta se abriu de novo.
O vento gelado entrou, e com ele um cheiro suave de shampoo barato de maçã.
Mas não foi esse cheiro que me fez travar. Foi um cheiro que não devia estar ali. E que só minha alma podia reconhecer. Algo que eu nem pensava mais que pudesse encontrar.
Algo que eu desejava não poder encontrar.
Meu coração errou. Errou feio. Deu um soco tão forte na costela que achei que o bar inteiro ouviu. Depois acelerou que nem doido.
O desgraçado do meu lobo, que se fazia de morto a maior parte do tempo. Enterrado em meu âmago desde que fui expulso. Levantou a cabeça e rosnou uma palavra que eu não queria ouvir.
— Puta que pariu! — sussurrei. — Não. Grande Deusa, não me fode agora! Agora não!
Estava no meio do caminho. Mão na faca. Alvo a três metros. E eu travei.
Quando ela entrou, contra a minha vontade meu corpo agiu, virando minha cabeça devagar.
Miúda. Deve ter 1,60m no máximo. Afogada em uma jaqueta amarela de chuva grande demais para o seu corpo. Cabelo castanho preso de qualquer jeito, úmido da neblina, alguns fios grudados na bochecha vermelha de frio. Olhos castanhos claros, grandes demais para o rosto fino. Narizinho arrebitado, vermelhinho. Lábio inferior tremendo. Carregava uma bolsa atravessada e um celular com a tela toda trincada.
Ela parou no meio do caminho, e sua voz suave, baixa de frio cortou o silêncio:
— Oi? Desculpa... meu carro enguiçou ali na curva. Meu celular está sem sinal e está muito frio lá fora. Alguém poderia me ajudar? Eu não entendo nada de carro. Eu posso pagar o conserto.
Fechei os olhos e me virei para o bar. Não queria mais olhar.
O bar inteiro calou e olhou para ela. Os três vampiros perdidos no canto pararam de beber e sorriram, mostrando a ponta da presa. Os dois lobos mortos de fome da sinuca largaram o taco e lamberam os beiços. O cheiro de tesão doente subiu no ar.
O que uma humana frágil está fazendo nesse lugar a uma hora dessas, sozinha e fazendo questão de falar que não tem nem como se comunicar com ninguém?
Minha mão fechou em punho dentro da jaqueta até as juntas estalarem.
Não olha! Não olha para o pescoço branco dela aparecendo entre o cabelo bagunçado. Que humana tola, ingênua e burra! Entrou no pior bar da estrada com essa carinha de coelhinha assustada diante de um monte de predadores.
Não é um problema meu! Não mandei a Deusa botar ninguém no meu caminho, muito menos agora. Eu tenho um trabalho a fazer, um desgraçado para matar. Não sou babá de humanas burras.
Tentei forçar meus olhos de volta para o meu alvo. Foco, Isaque. Trabalho. Dinheiro.
Mas meus olhos voltaram sozinhos. Para o jeito que ela apertava a alça da bolsa com dedo gelado. Para o jeito que o peito dela subia e descia rápido de medo. Para o cheiro de maçã que agora estava entranhado no meu nariz e não saía mais.
MINHA. Meu lobo de novo, mais alto. Possessivo. Furioso.
Alguns homens se aproximaram dela sem responder, apenas a olhando de cima a baixo, fazendo com que ela ficasse ainda mais nervosa.
Aí o Orelha Rasgada levantou. Lobo morto de fome, sujo, cheirando a bebida. Um dos que eu mataria de graça.
— Eu te ajudo, princesinha — ele disse com aquela voz melosa que me dá vontade de arrancar a língua. — Vamos lá fora que o tio vê teu carrinho.
Ela sorriu. Aliviada. Ingênua que só a porra.
— Ai, obrigada! Muito obrigada mesmo!
O sangue ferveu no meu pescoço. Eu sei o que um cara daquele faz com humana sozinha na estrada à noite. Já limpei muito corpo de menina que acreditou em "princesinha".
O meu alvo estava no banheiro escuro. Era a minha chance perfeita. Se eu fosse naquele momento, o matava de forma limpa e rápida, sem testemunha, contrato cumprido, 10 mil na minha conta.
Se fosse atrás daquela jaqueta amarela, eu perdia tudo.
Fiquei um segundo plantado no meio do bar. Corredor escuro para a esquerda. Porta aberta para o frio e para a humana burra para a direita.
Meu lobo rosnou tão alto que minha cabeça doeu.
"MINHA!"
Fechei os olhos.
"Humana burra do caral..."
POV ISAQUESaí da serralheria e fui direto para o hotel.Missão cumprida, alvo abatido, o restante do pagamento caiu na conta tão logo enviei mensagem para o contratante. Rotina.Tudo o que preisava fazer agora era aguardar o “Corvo” com apróxima missão.Respirei fundo e liguei a moto. Estava cansado, irritado, desconfiado e, por que não, intrigado?A foto no bolso da minha calça estava pesando mais na mente do que no tecido. Toquei o bolso antes de arrancar, apenas para ter certeza de que estava mesmo lá. O que uma humana tola como ela está fazendo metida com gente tão desprezível? Ou seria ela uma enviada do Corvo para me vigiar?Odeio ser vigiado, não sou fincionário dess efilho da puta e nõa seria a primeira vez que ele tenta me espionar. A diferença é que ninguém que ele tenha neviado antes tinha o olhar inocente e medroso dela…E ela cheira como minha companheira!Se esse filho da puta se atreveu a usar alguma bruxaria comigo…Uma das razões que tive prazer em eliminar o meu
Ouvi a chave girando do lado de fora. Ele trancou ao sair.Meu corpo inteiro relaxou de uma vez. Como se eu tivesse prendido a respiração esse tempo todo.Isaque.Esse é o nome do estranho que salvou a minha vida.O homem de quem eu deveria ter medo, especialmente após ouvi-lo me trancar num quarto de hotel.Qualquer mulher ficaria com medo dele no meu lugar.Não ficaria?Mas pela primeira vez em muitos anos, tive a sensação estranha de segurança.Como pude me sentir segura na presença de alguém que nem conheço?Acho que tudo pelo que passei deixou a minha mente mais perturbada ainda.Enterrei o rosto nas mãos lembrando dos últimos minutos na companhia dele.Fechei os olhos com força. "Não posso pensar nisso. Não posso."Mas pensei.Me lembrei da mão dele na minha cintura, grande e quente. Quando puxou pra perto do seu corpo por um segundo.Um segundo só.E o peito dele. Firme, musculoso, o cheiro de neve e pinho que ficou no meu cabelo.O ar faltou." Que vergonha!"Que tipo de pess
Meu estômago se revirou com o cheiro acre e sufocante de medo onde deveria ter o doce aroma de excitação.Olhei para baixo, ela ainda no meu colo e nossos corpos colados. As mãos dela tentando abrir o zíper da minha calça, trêmulas e desesperada.Eu ainda estava com o pau duro. Era difícil de controlar tão perto dela, sentindo a pele dela tocar a minha. Porém, eu não estava interessado em foder alguém que sentia apenas medo de mim.A afastei de mim apenas o suficiente para que pudéssemos nos olhar nos olhos.— O que você está fazendo, garota?Minha voz saiu mais grossa do que eu queria.Ela parou na hora. Os dedos congelaram sobre o meu cós.— Eu... eu achei que...— Achou o quê?Ela estava gaguejando, com a mão no meu pau e os olhos cheios d'água, tentando se oferecer como se fosse uma moeda de troca. Não tinha tesão nenhum ali, só desespero. Eu já vi esse olhar antes. Mulher que acha que o corpo é a única coisa que tem pra não apanhar na rua.— Você me ajudou lá no bar. Depois me tr
Olá, amores!Escrevam no comentário o que estão achando!BJKS!*****Estendi a mão. Ela olhou para os meus dedos como se fossem uma arma engatilhada. Devagar, com uma hesitação que quase me fez perder a paciência, colocou a mãozinha gelada na minha.O choque subiu do meu pulso até a nuca. Foi um soco quente. Violento.Meu lobo uivou tão alto dentro da minha cabeça que precisei trincar os dentes para não deixar o som escapar pela garganta. O pelo do meu braço arrepiou por inteiro. O sangue ferveu nas veias.Beatriz sentiu também. Ela arregalou os olhos e tentou puxar os dedos de volta.Segurei firme, sem apertar para não machucá-la. Puxei seu corpo para cima de uma vez.Um e sessenta de altura, no máximo. A jaqueta amarela ridícula batendo nos joelhos. Ela estava toda suja de lama, encharcada e tremendo tanto que os dentes batiam. Na garupa da moto, sob o vento da estrada, ela congelaria em minutos.Sem dizer nada, dei de ombros e tirei minha jaqueta de couro pesada. Ela precisava mais
Último capítulo