Mundo ficciónIniciar sesiónConfusão na boate dos Vampiros
Lara Colin Após a última aula do dia na faculdade, convido Paula, uma amiga humana que tenho na sala, para irmos na boate dos Vampiros. -- Deus me livre! Você tá maluca!?-- Ela arregala os olhos em choque. -- Tudo bem que nós vivemos em paz com sua raça. Mas daí ir ao território de vocês não dá mesmo. -- Tudo bem!-- Abro um sorriso desanimado.-- Só queria me divertir um pouco. -- Então vamos a uma lanchonete.-- Ela convida.-- Papai sempre le nos jornais que vocês não só andam no sol, como se alimentam de comida igual nós humanos. -- Bem, nem tudo que a mídia informa sobre nós é verdadeiro.-- Advirto.-- Só andamos no sol graças aos avanços da tecnologia. -- Como assim?-- Ela arregala os olhos em surpresa. Mostro minha pulseira em forma de bracelete a ela explicando que, graças a ela, temos uma vida quase normal entre os humanos, mas se sairmos sem a pulseira durante o dia, torraremos vivos sob à luz do sol. Deixo minha amiga atordoada com as revelações e caminho para fora dos limites da faculdade, pois meu motorista acaba de chegar com o carro. Minha mãe Sara Colin, tem medo que eu ande sozinha pelas ruas do Rio de Janeiro. Após perder meu pai Alexandre Santos na última batalha contra nós, ela vive isolada do mundo. Os dois se conheceram em uma boate e se apaixonaram. Meu pai era humano, minha mãe, uma vampira e eu sou fruto dessa mistura de raças. Depois de entrar no veículo, coloco o cinto de segurança. Peço a Miguel, nosso motorista. -- Passe na boate dos Vampiros. -- De jeito nenhum, senhorita!-- Sua recusa me irrita. -- Sua mãe falou que é da faculdade para casa. Está circulando uma história que o novo comandante da Polícia Federal mandou prender qualquer pessoa que seja pego em situação suspeita. Inclusive, nós vampiros! -- Ok, então vamos para casa.-- Fico emburrada.-- Quero ver até quando mamãe vai aguentar ficar trancada. Parece que tem 90 anos e não 42. Miguel continua dirigindo atento a tudo. -- Pare de resmungar!-- Repreende. Coloco o fone de ouvido para não ouvir mais nada. Luan Salvatore À noite, depois de um dia tranquilo, levanto-me da cadeira morto de cansado e me estico para alongar a coluna. Alguém b**e a porta e autorizo a entrada. Fernandes meu chefe e amigo desde o concurso da PF entra em minha sala animado. -- Tá a fim de caçar criminosos ou já encerrou o plantão? -- Bem, estou exausto!-- Suspiro.-- Mas se ainda tiver alguma ocorrência. Estou pronto! Nós dois temos quase a mesma idade. Eu tenho 30 anos e ele 29. Fernandes então ordena: -- Pois pega sua arma, coloca o colete e vamos para a viatura. -- Ok! Pego meu colete, mas não estou animado. Meu sexto sentido me diz que tem alguma coisa errada. Entro na viatura sentando no banco do carona da frente e pergunto: -- O que vamos fazer? -- Fique calmo!-- Ele ri.-- Já, já você vai saber. Minutos depois, chegamos em um bairro afastado da cidade. Descemos da viatura junto com mais quatro agentes em frente a uma boate. Olho para a fachada do local, assustando-me com o letreiro sobre a porta onde está escrito "boate dos vampiros" de forma bem chamativa. Balanço a cabeça sem entender o que houve para virmos aqui. Fernandes já entra no estabelecimento atirando com uma pistola silenciadora carregadas de balas com raios ultravioletas. Tomo um susto com os disparos contra os vampiros. Os garotos de um grupo um pouco afastado são pegos de surpresa com o ataque e tentam se proteger, mas um deles é baleado. A música eletrônica alta dificulta que os gritos do ferido sejam ouvidos pelos outros vampiros. Salto em Fernandes pedindo uma explicação. -- O que foi? Você está louco? Por que atirou nos garotos? -- Lembre-se que eles não são humanos. Qualquer vacilo seu pode ser seu fim.-- Fernandes aponta para um dos vampiros.-- Ele ia tirar em você. Olho para o rapaz baleado e os outros vampiros ao seu lado. Tento ajudar, mas Fernandes me proíbe. -- Uma palavra disso à corregedoria e adeus sua chance de me substituir um dia como delegado.-- Ele coloca a arma na cintura.-- Vamos embora daqui! Eu o sigo para fora da boate sem entender nada. Após a visita sem sentido na boate, pego meu carro no estacionamento do departamento da Polícia Federal e sigo para o meu apartamento. Hoje, resolvi vir para o trabalho de carro. Chego em casa e tranco a porta. Tiro a pistola glock 29 do coldre e vou fazer minha vistoria em todos os cômodos, um hábito que adquiri logo após a morte dos meus pais há 15 anos. Vivo sempre assombrado. Mais relaxado, vou para a cozinha, coloco a pistola em cima do balcão e preparo um café antes de tomar um banho. Minutos depois, pego a xícara de café e olho para o relógio em meu pulso: são exatamente 23 horas. Penso que viver sozinho não é bom. A solidão tem sido minha companhia. Arrumo uma mulher somente para dividir a cama por algumas horas. Minha vida é muito perigosa para envolver alguém. Afasto os pensamentos e coloco a xícara na pia. Desligo as luzes e vou para o meu quarto exausto. Já no cômodo, tiro minhas roupas e sigo para o meu banheiro privativo. Tomo um banho rápido enquanto penso preocupado:"o que houve para meu chefe atirar naquele jovem vampiro sem motivo?" Volto para o quarto enrolado em uma toalha e visto um shorte preto leve. Jogo-me na cama e fecho os olhos na tentativa de dormir, mas acabo sonhando com meus pais justamente no dia da morte deles. Acordo suado e assustado. Passo uma das mãos no rosto completamente confuso. -- Droga! Por que agora vivo sonhando com eles? Depois de um tempo rolando de um lado para o outro pensando no sonho, o cansaço me vence e acabo dormindo.






