Eu podia sentir o peso das garras da besta cravando o meu peito, o cheiro de Neréia se misturando ao do cachorro imundo.
Como ela se atreve?!
Foi como se um trovão rasgasse o próprio ar, um rugido vindo das entranhas de Palius atravessou meu peito, e a fúria do dragão explodiu em chamas dentro do meu corpo. Senti aquele maldito finalmente. Era real e forte demais, e agora pulsava vivo, latejante, violento. Vi, pelos olhos dele, o que ela fez.
Neréia.
Seus lábios tocaram os do lobo.
Um beijo, que ela ofereceu a ele.
Maldita rata vagabunda!
A imagem queimou nas veias como ácido, e o dragão rugiu, libertando-se das correntes do meu controle. Fogo correu por meus ossos, faiscando sob a pele. O chão do caminho de pedra tremeu sob meus pés.
“Ela nos traiu.” Palius sibilou, sua voz ecoando dentro da minha mente, profunda como o som de uma forja. “Isso é culpa sua! É uma escória inútil. Reivindique-a, Zayden! Agora!”
— Cale a boca! — gritei, mas as palavras se dissolveram em fumaça.
As janel