Helena saiu da sala com a sensação estranha de que o chão não estava exatamente onde costumava estar.
O coração ainda batia num ritmo irregular, não pelo conteúdo da conversa — objetiva, direta, profissional — mas pela coincidência absurda que insistia em ecoar dentro dela.
Ethan Hartman.
O homem do bar.
O olhar firme, a voz baixa, a presença que a havia desconcertado naquela noite agora fazia sentido demais. O mesmo controle. A mesma postura contida. A mesma intensidade silenciosa.
Só que ali, naquele escritório impecável, ele não era um desconhecido casual.
Era o pai de Henry.
E seu possível empregador.
Helena respirou fundo no corredor, tentando organizar os pensamentos antes que escapassem do controle. Não havia flerte, não havia insinuação. Ainda assim, algo nela permanecia alerta — como se o corpo tivesse reconhecido antes da razão.
— Senhorita Helena?
A voz suave da senhora Quinn a trouxe de volta.
A governanta a aguardava alguns passos adiante, as mãos cruzadas à fre