Por mais que eu tentasse seguir meu dia normalmente, o carro preto estacionado em frente ao orfanato permanecia fixo na minha mente como um alerta constante. Não era o tipo de veículo que se via por ali. Era elegante demais, escuro demais, silencioso demais. Parecia pertencer a outro mundo — um mundo que eu mal começava a compreender.
— Está lá outra vez — murmurei, encostado na janela da sala de leitura, observando pela fresta da cortina.
— Desde ontem à noite — respondeu Helena, cruzando os