POV: Abner
Eu vi o exato momento em que ela se fechou.
Foi como observar o fechamento de um cofre de alta segurança. Os olhos de Mayla, que por um segundo brilharam com uma faísca que não era mágica, voltaram a ser duas pedras de gelo azul. Ela desviou o olhar de mim, e o vazio que se abriu entre nós naquelas águas termais foi mais frio do que o inverno em Éterea.
— Eu preciso dormir — ela disse.
A voz dela era seca, cortante, a mesma voz que imaginei que ela usaria para demitir um andar inteiro de executivos. Mas eu ouvi a nota falsa. Eu ouvi o tremor que ela tentou esconder sob a gramática perfeita.
Ela se levantou bruscamente da borda da piscina, as pernas molhadas deixando rastros rápidos no chão de pedra enquanto ela caminhava em direção ao fundo da gruta. A túnica de linho pesava nela, mas ela a carregava como se fosse uma armadura.
— Mayla... — eu comecei, minha mão saindo da água por puro instinto, querendo alcançá-la.
— Não — ela interrompeu, sem olhar para trás. — Não diga