POV Mayla
Acordei antes do sol de Éterea romper as fendas da gruta. O chão de pedra era duro, um lembrete físico de que o meu mundo de lençóis de mil fios de algodão tinha sido liquidado. O silêncio era interrompido apenas pela respiração profunda e rítmica de Abner, perto da entrada. Ele dormia como um predador: imóvel, mas pronto para o ataque.
Levantei-me sem ruído. Eu precisava de ordem. Precisava de dados.
Saí para a área externa da cachoeira, onde o ar da manhã cortava como uma lâmina fria. Estendi as mãos, tentando imitar a posição que Abner me mostrara.
— Frequência. Modulação. Fluxo.
Fechei os olhos e tentei evocar a faísca de ontem. Tentei pensar na empresa, no conselho de administração, na lógica pura... Nada. A magia de Éterea não falava a língua das finanças. Frustrada, deixei que a imagem do beijo de ontem à noite invadisse a minha mente por um segundo. A sensação das mãos de Abner, o calor da água, a culpa por Daniel...
ZÁS.
Uma descarga de luz azul disparou das m