Ricardo
A sala de reuniões está cheia, mas o ambiente parece estranhamente vazio. O ar-condicionado zune em um tom constante e artificial, como se tentasse neutralizar qualquer resquício de emoção humana antes mesmo que ela pudesse se manifestar. O telão exibe gráficos coloridos, linhas ascendentes e números em negrito que prometem uma segurança que eu já não sinto. No papel, tudo parece sob controle. Na prática, sinto que estou segurando areia entre os dedos.
— Como todos já sabem — começo, mi