Ricardo
A sala de reuniões está cheia, mas o ambiente parece estranhamente vazio. O ar-condicionado zune em um tom constante e artificial, como se tentasse neutralizar qualquer resquício de emoção humana antes mesmo que ela pudesse se manifestar. O telão exibe gráficos coloridos, linhas ascendentes e números em negrito que prometem uma segurança que eu já não sinto. No papel, tudo parece sob controle. Na prática, sinto que estou segurando areia entre os dedos.
— Como todos já sabem — começo, minha voz saindo firme por puro hábito, uma máscara que aprendi a usar tão bem que às vezes esqueço como tirá-la —, estamos encerrando as atividades da filial do Rio de Janeiro.
Um murmúrio atravessa a mesa, contido e estritamente corporativo. Cabeças se inclinam em sinais sutis de concordância ou surpresa, e as canetas pausam no ar, aguardando o próximo golpe. No canto direito, recostado na cadeira com uma postura que beira o descaso, Vitor me observa. Ele não anota nada. Não interrompe. Não se a