O mundo já não fazia sentido havia muito tempo, mas naquele momento específico, enquanto corriam sem rumo por ruas destruídas e terras rasgadas, Haruki sentiu que a realidade finalmente havia se quebrado de vez.
O ar queimava os pulmões. Cada respiração vinha carregada de poeira, cheiro de ferrugem, sangue e algo mais — algo vivo, animalesco, antigo. Atrás deles, os gritos se misturavam ao som de explosões, tiros dispersos e ao rugido grotesco das criaturas que surgiam do chão como se a própria terra estivesse cuspindo seus pesadelos mais profundos.
Os soldados tentavam manter a formação, gritavam ordens, puxavam civis, empurravam corpos para longe das fendas que se abriam sob os pés. Mas não adiantava. O caos era grande demais.
Em um instante, Haruki sentiu a mão da mãe escorregar da sua. No seguinte, um empurrão violento o lançou para o lado.
— Amy! — ele gritou, o nome da irmã sendo engolido pelo barulho ensurdecedor.
— Haruki! Por aqui! — a voz do pai ecoou à frente.
Quando Haruki