O pânico deixou de ser barulho e passou a ser movimento.
As pessoas não corriam mais para algum lugar — corriam para longe. O espaço perdeu forma. Direções deixaram de existir. Tudo se reduziu a instantes roubados entre um passo e outro, a decisões tomadas sem pensamento, a corpos empurrados pela simples necessidade de não cair.
— NÃO OLHEM PARA TRÁS! — um soldado gritava, a voz já rouca. — CONTINUEM EM FRENTE!
Mas era impossível não olhar.
As criaturas avançavam como uma onda viva, rasgando o chão com garras, saltando sobre destroços, desviando de tiros como se aprendessem com cada erro. O som que produziam — uma mistura de rosnados, estalos e algo semelhante a respiração forçada — entrava pelos ouvidos e se alojava no peito, comprimindo o ar.
Haruki corria.
Sentia o peso das mochilas puxando seus ombros, o estojo do violino batendo contra suas costas a cada passo, como um lembrete cruel de que ele ainda carregava sonhos num mundo que parecia ter decidido apagá-los. Sakura trop