Parte 16...
Emir
Subi para o sótão assim que cheguei em casa. A porta estava encostada. Estranho, eu sei que fechei direito.
Empurrei. E dei de cara com o caos.
Caixas no chão. Livros abertos. Uma cadeira tombada. A respiração dela denunciava onde estava. Atrás da estante. Como um animalzinho acuado tentando achar uma saída.
Minha mandíbula travou.
— Tentando fugir de novo, Ayla? - minha voz saiu baixa, fria.
Ela se levantou devagar, o rosto ainda molhado de choro e raiva. E mesmo assim, me desafiando.
— Eu não… Eu só queria achar um modo de diminuir minha raiva.
— Não tem que fazer isso. Raiva só vai te fazer mal. Aceite. - dei dois passos para frente.
Ela recuou. Mais um passo, ela recuou de novo. Até bater as costas na parede. Perfeita. Exatamente onde eu queria. Fiquei tão perto que senti a respiração dela bater no meu queixo.
— Fica parada - ordenei.
Ayla apertou os dedos na barra da própria camisa, tentando parecer firme. Tentando fingir que não estava tremendo.
Eu segurei a mão