Parte 27...
Ayla
Acordei com o barulho do armário abrindo. Ainda era cedo. A luz entrava fraca pela janela. Levantei devagar e fui até o closet sem pensar muito. Só fui.
E parei.
Ele estava de costas, sem camisa, vestindo a calça. O corpo tenso, marcado, cicatrizes que eu não sabia de onde vinham. O peito largo subia e descia devagar, como se nada no mundo o afetasse. Fiquei parada tempo demais.
Virei o rosto rápido, o coração acelerado, com raiva de mim mesma.
— O que foi? - ele perguntou, sem se virar. — Perdeu alguma coisa?
— Eu… - pigarreei. — Quero ver minha tia.
Ele se virou então, me pegando no flagra. Os olhos percorreram meu rosto, demoraram um segundo a mais do que deviam.
— Depois. Vou te levar ao hospital.
— Eu posso ir sozinha.
— Não - respondeu, simples, como se encerrasse qualquer discussão.
Ele pegou a camisa e começou a vestir devagar. Devagar demais. De propósito. Cada botão fechado parecia calculado. Ele se aproximou enquanto abotoava, invadindo meu espaço. Dei um p