Parte 42...
Emir
— O que você fez?
— Nada - respondi no automático.
Ela já estava de pé.
— Sua mão está machucada.
— Não é nada.
— Está sangrando.
— Ayla…
— Fica quieto.
Ela passou por mim e foi até o banheiro. Ouvi gavetas sendo abertas. Quando voltou, trazia uma caixa de primeiros socorros. Colocou sobre a bancada, afastando os cacos maiores do espelho.
— Senta - disse, sem levantar a voz.
— Não precisa.
— Senta, Emir. – foi mais firme.
Sentei. Não por obediência. Por cansaço. Ela pegou minha mão com cuidado, como se eu fosse quebrar também. Virou o pulso, examinando os cortes.
— Você é impulsivo - murmurou. — Assim vai acabar se machucando de verdade.
— Já me machuquei de verdade antes.
Ela fingiu não ouvir. Limpou o sangue, passou o antisséptico. Ardeu, mas fiquei em silêncio. Ayla soprava de leve, concentrada, como se aquilo fosse importante demais para errar.
O quarto ficou pequeno de repente. Só existia a mão dela na minha, o toque firme e calmo, tão diferente de tudo que eu co