“Fugi dele para me encontrar, e encontrei dentro de mim o que nem o amor nem o medo puderam apagar: o som do mar… e uma vida que começa onde a dor termina.” — Luna Castilho
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O vento no litoral norte é diferente. Ele tem corpo, voz e alma. Sopra contra o meu rosto como se me reconhecesse — frio, úmido, carregado do sal que gruda na pele e arde nos lábios. Cada rajada traz o cheiro do mar misturado ao das algas, da areia molhada e de uma liberdade que eu ainda aprendo a aceitar.
Aqui, não há mansão. Não há segredos sussurrando pelos corredores, nem passos pesados marcando território ao meu redor. Não há o som metálico das armas, nem o murmúrio dos homens de Fernando. Há só o mar.
E o mar… o mar nunca mente.
Ele respira comigo, me chama pelo nome, me devolve o que o medo tentou arrancar: o direito de existir.
Cheguei antes do amanhecer, quando o mundo ainda era feito de sombras e silêncios. O ar estava frio o bastante para me fazer estremecer, mas o som das ondas era tão constante, tã