Capítulo 2

Alice 

A aula segue normalmente presto a atenção em tudo ,faço minhas anotaçoes a manhã passou rápido e já estou de saida Sara falou tanto na minha cabeça que disse que iria pensar sobre ir ao baile, respondi só para ela me dar paz ,no meio da  aula senti alguns olhares do Caio não sei se foi coisa da minha cabeça.Sigo até o ponto de ônibus graças a Deus a volta sempre é mais tranquila .

Estou exausta mentalmente ,viver na casa dos meus tios não tem sido fácil ,sou grata pelo abrigo mas sinto o desprezo no modo de falar e no olhar ,me sinto um peso.Meu primeiro e último pensamento do dia é sempre o mesmo e oro para que consiga realizar o mais rápido possivel sair da favela sair da casa deles ,entro no ônibus com o pensamento da aula e os trabalhos que preciso entregar não posso pegar dp em nenhuma matéria.

Tem sido assim minha vida uma grande pressão psicilogogica ,tenho meu trabalho na lojinha de roupas da dona Eva ela é um amor trabalho meio periodo ,não ganho muito mais ja me ajuda com as minhas coisas, da faculdade chego no ponto final desço do ônibus correndo para não me atrasar,quando me aproximo da barreira  algo estava estranho.

Biel, meu amigo de infância, veio correndo.

— Alice! Espera!

— O que foi? Ele olhou para os lados, inquieto.

— Disseram que tem gente te procurando.

— Gente… quem?

— Do Coroa.

Meu sangue  gelou.

— Biel, eu não fiz nada!

— Eu sei. Mas eles não ligam pra isso.

Eu mal tive tempo de respirar. Dois homens armados surgiram atrás de mim.

— Alice Souza? — o mais alto perguntou.

Eu apenas assenti.

— Vai ter que vir com a gente.

O morro inteiro pareceu parar. Olhares surgiram das janelas, das portas, dos becos.

Eu tentei falar, mas a voz sumiu.

Senti as pernas fraquejarem.

— Eu… eu fiz alguma coisa?

— Vão resolver lá em cima — o homem respondeu.

Eu fui levada.Pelos becos, pelos corredores, pelas escadas infinitas.O coração batia tão alto que parecia amplo, mal iluminado. O cheiro de fumaça misturado a pólvora impregnava o ar. Homens armados se encostavam nas paredes, quietos.

E lá estava ele, ele…Ele era o centro de tudo .

O Coroa.

Sentado em uma cadeira de couro, joelhos afastados, cotovelos apoiados, olhar firme. Um homem que não precisava gritar para mandar. O silêncio dele era uma sentença.Senti  o mundo desabar dentro do peito.E, pela primeira vez, não sabia se meus sonhos podiam me salvar .Ou se acabariam ali.

O Coroa levantou o olhar lentamente, como quem avalia um problema novo.— Então você é a tal da Alice — ele disse, a voz baixa e grave.Eu tentei responder, mas nada saiu. O medo apertava meu peito, mas havia outra coisa. Algo que não deveria existir. Algo quente. Algo errado.Ele levantou.E quando se aproximou, cada passo dele parecia um aviso.

— Está dizendo que não fez nada? — perguntou, parando a poucos centímetros dela.

— Eu… não fiz — eu sussurrei.

O Coroa inclinou o rosto, analisando cada detalhe.

Ela sentiu o corpo inteiro estremecer.

Não era só medo.

Era uma atração silenciosa, perigosa, proibida.

Os olhos dele desceram para minha boca por um segundo — só um segundo — mas foi o bastante.

— Vou descobrir se está mentindo — ele disse.

Eu  engoliu seco.

Ele virou de costas… mas antes de sair, soltou:— Tem algo em você… que me faz querer olhar de novo.Eu arregalei meus olhos.E ele sorriu — pequeno, quase imperceptível. Mas real.   

Eu fiquei aonde estava, as pernas bambas, o coração batendo rápido demais para o silêncio do galpão. Os homens continuavam ali, imóveis, como sombras armadas. Ninguém falava com ela. Ninguém explicava nada. O tempo escorria lento, pesado, enquanto a frase dele ecoava na sua cabeça: tem algo em você…

Eu abraçei meus  próprios braços, tentando afastar o frio — e a ansiedade. Se ele voltasse convencido de que fiz algo errado algo que nem eu sei , não haveria segunda chance. Ela sabia. Todos sabiam.

Minutos depois, vozes surgiram do outro lado da porta de metal. Abafadas. Urgentes.

— Achamos — disse alguém, em tom baixo. — Não foi a garota. Já pegamos o responsável.

Foi um dos nossos.Houve um silêncio tenso, seguido de um passo firme.

  

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