Mundo ficciónIniciar sesiónA porta se abriu.
O Coroa voltou. O olhar dele estava diferente. Mais duro. Mais fechado. Mas havia algo novo ali também — certeza.Ele caminhou até o centro do galpão, dispensou os homens com um gesto curto e só então voltou a atenção para Alice.
— Parece que você disse a verdade — falou, sem elevar a voz. Eu soltotei o ar que nem tinha percebido que estava segurando. As pernas quase cederam. — Eu… eu nunca faria isso — disse, agora com mais firmeza. Ele a observou por alguns segundos, como se estivesse encaixando uma última peça. Depois assentiu lentamente. — A curiosidade quase me custou caro — murmurou. — Mas a mentira teria sido pior. Ele se aproximou outra vez, não tão perto quanto antes, mas o suficiente para que Alice sentisse a presença dele como um peso e um ímã ao mesmo tempo. — Você está livre — concluiu. — Por enquanto. Por enquanto. Ele virou de costas, caminhando em direção à saída, mas parou antes de atravessar a porta. — Alice… — chamou, sem olhar para trás. — Neste lugar, quem chama minha atenção costuma não passar despercebido. Cuidado com isso. A porta se fechou atrás dele com um estrondo metálico. Eu permaneci ali, o coração acelerado, sabendo de uma coisa com absoluta certeza: ela não era mais apenas uma suspeita. Eu tinha entrado no radar do homem mais perigoso daquele lugar.Respirei fundo ,criando coragem para sair daquele galpão ,eu não acreditava que tudo isso tinha acontecido ,com as poucas forças que tinha consegui sair daquele lugar de cabeça baixa como se um furacão tivesse passado sobre mim.
O olhar do Coroa me penetrou de um jeito e me fez arrepiar de uma forma que jamais senti ,nele havia perigo como um pisca alerta bem no centro da testa
…um aviso silencioso de que me aproximar dele poderia me destruir — e, ainda assim, meu corpo reagia como se quisesse ignorar todos os sinais.
Dei mais alguns passos, sentindo o peso do que tinha acabado de viver cair sobre mim de uma vez só. Minhas mãos tremiam. Não era só o medo do que poderia ter acontecido, era o impacto de ter cruzado o caminho dele… e saído viva.
Mas não ilesa.
O galpão ficou para trás, e o ar da rua bateu no meu rosto como um choque de realidade. Mesmo assim, a presença do Coroa continuava grudada em mim, como se seus olhos ainda estivessem ali, me seguindo, me medindo, me marcando.
Eu sabia. Sentia no fundo do peito.
Aquela não tinha sido uma despedida.
E o pior de tudo?
peso da autoridade, da experiência, das decisões tomadas sem volta. Não era beleza juvenil, nem charme ensaiado. Era presença. Era domínio. Era o tipo de homem que não precisava levantar a voz para ser obedecido — e isso me desarmou mais do que qualquer arma apontada.
Aquilo me revoltava comigo mesma.
Logo eu, que sempre virei o rosto para a violência. Que desprezava o tráfico, os homens que mandavam e destruíam vidas como se fossem peças descartáveis. Logo eu, sentindo o estômago revirar não só de medo, mas de algo que parecia curiosidade… e pior: reconhecimento.
Era como se, por um instante, eu tivesse enxergado além do rótulo. Não o sistema, não o crime — mas o homem. E isso me assustou mais do que o galpão, mais do que as armas, mais do que a possibilidade de morrer ali.
Balancei a cabeça, tentando expulsar aquela sensação.
— Não — murmurei para mim mesma. — Isso não sou eu.
Mas meu corpo ainda lembrava da proximidade dele. Do tom da voz baixa. Do olhar que parecia atravessar defesas que eu nem sabia que tinha erguido.
Segui andando, jurando que aquilo ficaria para trás.
Sem saber que alguns encontros não passam.







