O corredor que levava ao escritório do conde parecia interminável. Cada passo ecoava como se o chão fosse engolila. Maria Clara tentava respirar devagar, mas o ar parecia não entrar. Quando parou diante da porta, levou a mão ao peito por um instante, respirando fundo e, ainda assim, sua mão tremia quando bateu.
— Entre. — A voz de Álvaro veio seca, rápida demais… ele a estava aguardando.
Maria Clara abriu a porta com cuidado.
O conde estava de costas, imóvel diante da janela, com as mãos cruzadas atrás do corpo. O contorno rígido dele se recortava contra a luz cinzenta do dia chuvoso. Havia tensão acumulada em seus ombros, numa postura de quem lutava para permanecer no controle. Ela desviou o olhar para ao quadro da batalha naval, como se refletisse o clima existente naquele escritório.
— Feche a porta. — ordenou, sem se virar.
Ela obedeceu em silêncio.
O ar ficou pesado, preenchido apenas pelo som distante da chuva e da respiração dela, que tentava não fraquejar.
Quando ele finalment