O dia seguinte amanheceu sob uma chuva fina e persistente, que desenhava linhas trêmulas nos vidros altos do Solar Alencastro.
Maria Clara terminou de arrumar as crianças para o café da manhã. Assim que as deixou prontas, elas saíram correndo pelo corredor, trocando olhares cúmplices, as bochechas carregando a típica expressão de quem planeja travessura.
Quando desceu ao salão, encontrou os dois agachados atrás das cadeiras, cochichando.
— O que vocês estão aprontando? — perguntou, franzindo o cenho.
Os dois saltaram, rígidos como soldados em posição de sentido.
— Nada! — disse Helena, rápido demais para soar convincente.
Antes que Maria Clara pudesse insistir, os passos firmes do conde Álvaro ecoaram pelo salão. A simples presença dele fez a sala baixar a temperatura.
— Bom dia. — disse ele, ajustando o paletó com austeridade.
— Bom dia, papai. — responderam as crianças em uníssono.
Ele então voltou-se para Maria Clara.
— Senhorita Duarte… permita-me. — puxou a cadeira para ela sent