ROSÁLIA DUARTE
Minhas pernas, geralmente firmes e acostumadas a correrias em saltos altos, pareceram feitas de gelatina. Apoiei a mão no batente da porta com mais força do que o necessário, cravando as unhas na madeira pintada, tentando me ancorar a realidade que parecia ter saído dos trilhos.
— O que diabos você está fazendo aqui? — perguntei, a voz saindo num sussurro rouco, quase inaudível, mas repleto de incredulidade.
Célio Mirantes não se abalou. Ele manteve aquele sorriso de funcio