O sol já está alto quando os primeiros raios invadem o quarto de Marta. O canto dos passarinhos do lado de fora é abafado pelo silêncio reconfortante do cômodo, onde os dois irmãos ainda dormem, enroscados como nos tempos de infância, quando o mundo parecia mais simples e a dor, mais distante.
— Miguel! Marta! — chama a voz de Dona Maria do corredor, batendo levemente na porta.
— Já passou da hora do almoço, vocês vão deixar tudo esfriar!
Os dois despertam juntos, olhos inchados, mas a alma um