A esperança não chega com estardalhaço. Não se anuncia com fanfarras, nem exige atenção. Ela se infiltra pelos espaços onde o medo já se cansou de reinar, onde o desespero perdeu a força, onde a dor começa, enfim, a se calar. E ali, naquele chão acarpetado do quarto dos gêmeos, entre brinquedos espalhados, uma manta amassada e a luz suave do abajur filtrada pelas cortinas, Marta sente, pela primeira vez desde o parto, que consegue respirar. De verdade. Sem peso no peito, sem dor nos olhos. Apen