Cátia— Alta concedida, mas nada de comemorações precipitadas — o médico avisa, ajustando o estetoscópio no pescoço. Depois assina a última folha do meu prontuário.— Não tenho nada para comemorar — respondo amarga, lembrando na propriedade que não é mais minha.— Ah, mas tem sim, a senhora teve uma sorte absurda de sair viva daquele galpão. Seus pulmões ainda estão inflamados, então repouso absoluto pelas próximas semanas, tudo bem?— Entendi, doutor. — Meu pai confirma com a cabeça, como um general cuidando da minha saúde.São duas semanas exatas desde o incêndio. Duas semanas trancada entre paredes brancas de hospital, respirando com ajuda e engolindo xaropes amargos. Enquanto eu lutava para recuperar o ar, a Sabiá-Laranjeira era pisoteada pela tragédia.Na recepção do hospital, dona Vera espera por nós. Assim que ela vê o meu pai, dá um passo à frente.— Vocês não vão voltar para aquela terra agora, Oswaldo — dona Vera decreta, sem abrir espaço para contestação. — Ficar olhando pa
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