**Narrado por Clara**
O táxi me deixou em frente ao prédio pouco depois das nove horas da manhã. O dia já estava quente, mas eu me sentia gelada por dentro. Não era medo, mas sim uma sensação de contenção. Passei a última hora segurando uma dor profunda, um ardor intenso, e uma febre que se escondiam sob a maquiagem e o tecido das minhas roupas.
O elevador subiu lentamente, rangendo como sempre fazia. O espelho da cabine refletia uma imagem perfeita: meu cabelo estava bem arrumado, a maquiagem