Mundo ficciónIniciar sesiónNa manhã seguinte, o despertador soou impiedoso às cinco e meia. Maya saltou da cama, determinada a cumprir a exigência absurda de seu novo chefe. Ela selecionou um conjunto de alfaiataria num tom azul-escuro profundo, prendeu as madeixas em um coque impecável e desceu.
Para sua surpresa, Alexander já estava de pé, postado junto à bancada da cozinha americana. Ele vestia um terno preto perfeitamente alinhado, que destacava ainda mais sua postura imponente, e lia relatórios em um tablet enquanto bebericava um café expresso, sem açúcar. O homem parecia imune ao cansaço.
— Bom dia, senhor Vance — cumprimentou Maya, adotando sua postura estritamente profissional.
Alexander ergueu os olhos cinzentos, avaliando-a com uma frieza cirúrgica que fez a pele dela formigar. Ele deslizou aquele olhar gélido pelo traje dela, assentindo sutilmente.
— Vejo que sabe seguir instruções. O motorista nos aguarda no subsolo em cinco minutos. Há café na garrafa térmica se desejar. Não tolero atrasos no trajeto.
Sem esperar por uma resposta, ele bloqueou a tela do dispositivo, recolheu sua pasta de couro legítimo e caminhou em direção ao elevador privativo. Maya respirou fundo, pegou uma xícara rapidamente e o seguiu. O jogo corporativo daquele dia seria ainda mais intenso.
O trajeto até a Vance Holding foi imerso em um silêncio quase sepulcral, quebrado apenas pelo som sutil dos pneus contra o asfalto molhado de Manhattan. Alexander revisava planilhas e não dirigiu uma única palavra a ela. Maya agradeceu mentalmente por isso; precisava de foco total para encarar os olhares curiosos que certamente a esperavam no escritório após o anúncio do noivado.
Quando o veículo parou diante do imponente arranha-céu de vidro, a realidade cobrou seu preço. Alguns fotógrafos de tabloides de fofoca já se aglomeravam perto da entrada principal, ávidos por um clique do casal do momento.
Alexander desceu primeiro. Ele contornou o carro com sua elegância altiva e abriu a porta para Maya. No entanto, antes que ela colocasse os pés na calçada, ele se inclinou na direção dela, reduzindo a distância entre os dois a poucos centímetros. O calor de seu corpo contrastava drasticamente com a frieza de sua expressão.
— Sorria e segure o meu braço, Maya — comandou ele, a voz baixa e rouca, audível apenas para ela. — Os abutres estão famintos. Faça com que acreditem que você é a mulher mais sortuda desta cidade, ou o nosso acordo perderá o valor antes mesmo do almoço.
Maya engoliu em seco, sentindo a audácia daquele homem testar seus limites. Ela forçou o seu melhor sorriso enigmático, ergueu o queixo com altivez e enlaçou o braço firme de Alexander. Os flashes começaram a pipocar instantaneamente ao redor deles. Caminhando lado a lado, eles cruzaram o saguão como a realeza de Manhattan. Alexander Vance achava que tinha o controle absoluto de tudo, mas Maya estava decidida a provar que não seria apenas um peão em seu tabuleiro de xadrez corporativo.
A rotina na presidência da Vance Holding era avassaladora, mas o verdadeiro teste psicológico acontecia quando as portas da cobertura se fechavam à noite. A convivência forçada começou a ganhar contornos perigosos. Maya não era do tipo que aceitava ordens calada, e percebeu rapidamente que o autocontrole de Alexander era a sua armadura mais valiosa. Então, decidiu testar as frestas daquela proteção.
Em uma noite chuvosa, após mais uma jornada exaustiva de trabalho, Maya desceu as escadas vestindo apenas um robe curto de seda negra, que acentuava a palidez de sua pele. Alexander estava sentado no sofá da sala de estar, com a camisa desabotoada nos primeiros botões e uma folha de balanço financeiro em mãos.
Ela caminhou calmamente até o bar, fingindo buscar um copo d'água. Ao passar por ele, permitiu que a barra de seda de seu robe roçasse de leve no ombro dele. Um toque sutil, quase acidental, mas carregado de uma eletricidade muda. Ela pôde notar a mandíbula de Alexander travar no mesmo instante.
Sem dizer uma única palavra, Maya serviu-se e, ao retornar, parou bem diante dele. O olhar do CEO subiu lentamente pelas pernas dela, encontrando os olhos desafiadores da jovem. Houve uma mudança perceptível na respiração dele, o peito subindo de forma mais pesada sob o tecido fino da camisa. Alexander pousou o copo de uísque com um impacto seco na mesa de centro. Ele queria manter a distância, mas o magnetismo daquela presença estava testando cada milímetro de seu orgulho.
— Perdeu o sono, senhorita Rodrigues? — a voz dele saiu mais grave que o habitual, uma vibração que reverberou no estômago de Maya.
— Apenas garantindo que o meu chefe não esteja trabalhando demais — ela respondeu com um tom suave, quase inocente, inclinando-se ligeiramente para deixar o copo sobre a bancada. O movimento fez o perfume dela invadir o espaço dele, uma provocação silenciosa e deliberada. — Afinal, preciso do meu noivo inteiro para as câmeras amanhã.
Alexander ergueu-se do sofá com uma rapidez impressionante, encurtando o espaço entre eles até que as pontas de seus sapatos tocassem os pés descalços dela. A diferença de altura a obrigou a erguer o queixo. A mão dele subiu, os dedos longos e firmes hesitando por um segundo antes de envolverem a lateral do pescoço de Maya, polegar acariciando de leve a linha de sua mandíbula. O toque era quente, contrastando com o ambiente climatizado.
Não havia diálogo. O silêncio era preenchido apenas pelo som da chuva batendo contra os vidros e pelo compasso acelerado de dois corações que se recusavam a ceder. Aqueles olhos cinzentos e tempestuosos desceram para os lábios dela, fixando-se ali com uma intensidade sombria, carregada de um desejo reprimido que ele tentava, a todo custo, dominar. Ele a puxou um centímetro mais perto, o suficiente para que Maya sentisse o calor emanando de seu corpo rígido. A tensão era tão espessa que o ar parecia rarefeito.
Ela sustentou o olhar, um sorriso vitorioso e quase imperceptível surgindo nos cantos de sua boca ao perceber o efeito que causava naquele homem inabalável. Sabendo exatamente o momento de recuar, Maya levou las mãos suavemente ao peito dele, não para empurrá-lo, mas em um deslize lento que testou a firmeza de seus músculos sob a camisa, antes de se desvencilhar de seu aperto com uma leveza felina.
— Durma bem, senhor Vance — sussurrou ela, dando as costas e subindo os degraus sem olhar para trás, deixando-o sozinho na penumbra da sala, lidando com o rastro de desejo que ela acabara de acender.







